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Saída dos EUA do Acordo de Paris pode significar subida da temperatura em 3,2ºC

Manifestação contra a decisão de Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris

Fabrizio Bensch / Reuters

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris resultará numa subida da temperatura mundial de 3,2ºC até 2100, contra 2,8ºC se respeitassem os compromissos iniciais de redução de emissões, indicou hoje uma organização científica.

"Essencialmente por causa do anúncio da retirada dos Estados Unidos do Acordo" de Paris pelo Presidente Donald Trump, em junho, constata-se "uma deterioração importante dos progressos" esperados contra o aquecimento global, indica a Climate Action Tracker (CAT) num relatório divulgado à margem da conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP23), a decorrer até sexta-feira, em Bona.

Impulsionados pela administração de Barack Obama, os Estados Unidos, o segundo maior emissor de gases com efeito de estufa, depois da China, comprometeu-se a reduzir as suas emissões em entre 26 e 28% até 2025 em relação aos níveis de 2005, para contribuir para a contenção do aquecimento global.

No Acordo de Paris, conseguido em dezembro de 2015 e em vigor desde novembro de 2016, a comunidade internacional fixou o objetivo de limitar a subida da temperatura aos 2.ºC relativamente à época pré-industrial.

"Se todos os governos [exceto os EUA] seguissem os compromissos [de redução de emissões de gases com efeito de estufa] que fixaram no quadro do Acordo de Paris, a subida prevista da temperatura mundial em 2100 seria de 3,2ºC em relação aos níveis do período pré-industrial", segundo a CAT. Em 2016, a previsão era de 2,8ºC.

Esta deterioração é "largamente devido ao facto de os EUA voltarem as costas ao seu objetivo para o horizonte de 2030 e a longo prazo" (2050), estima a organização, um consórcios de três centros de investigação dedicados às alterações climáticas, que mantém uma base de dados científicos sobre o aquecimento global e sobre as medidas de redução de emissões tomadas pelos países .

A China e a Índia, respetivamente primeiro e quarto emissores mundiais de gases com efeito de estufa, ao contrário, "fizeram progressos significativos" no último ano.

Segundo as projeções da CAT, políticas climáticas desenvolvidas nestes países "conduzem a uma descida de 0,2ºC do aquecimento".

"Vemos claramente quem são os líderes: face à inação norte-americana, a China e a Índia passam a uma velocidade superior", salienta Bill Hare, do instituto de investigação Climate Analytics, que integra a CAT, acrescentando que "os dois devem rever e reforçar os compromissos que assumiram em Paris".

Segundo a CAT, que estudou 32 países representando 80% das emissões mundiais, estas "devem aumentar de 9% para 13% entre 2020 e 2030 devido ao aumento das emissões previsto em países como a Turquia, Indonésia e Arábia Saudita".

Em 17 dos 32 países analisados, "as emissões devem aumentar mais de 20% durante este período", acrescenta.

Lusa

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