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Caso das Viagens

"Não descansaremos enquanto esta situação não estiver totalmente esclarecida"

"Não descansaremos enquanto esta situação não estiver totalmente esclarecida"

O PSD insiste no pedido de esclarecimentos ao Governo a propósito das viagens pagas pela Galp a três secretários de Estado. Fernando Negrão acredita que o convite pode até ter sido aceite de boa fé, mas "a corrupção é um ato muito sofisticado".

O deputado do PSD Fernando Negrão apelou hoje ao primeiro-ministro para esclarecer a polémica de três secretários de Estado terem aceitado convites da Galp para o Europeu de futebol, considerando-os "inibidos" de qualquer relação com a empresa.

"Queria acrescentar o silêncio do primeiro-ministro. Não pode continuar em férias dizendo que nada dirá. Tem responsabilidades muito especiais nesta área, estamos a falar de ética na governação", afirmou o também presidente da Comissão Parlamentar Eventual para o Reforço da Transparência no Exercício e Funções Públicas, na sede do PSD, em Lisboa.

O parlamentar social-democrata fez mesmo um apelo ao primeiro-ministro "para que dê uma explicação aos portugueses" e mostrou disponibilidade do seu partido em acolher o pedido do CDS-PP de que o Governo seja ouvido rapidamente em sede da comissão permanente da Assembleia da República sobre esta questão, algo em que, "se vier a ocorrer", o PSD estará "presente" para "a discussão".

Fernando Negrão admitiu ainda que vários deputados sociais-democratas tenham também beneficiado das mesmas viagens, mas diferenciou a sua situação da dos governantes, os quais "têm uma exigência particular" em virtude das suas "competências executivas".

Sobre os parlamentares do PSD, Negrão referiu que haverá "o mesmo grau de exigência do que com os membros do Governo", embora nenhuma partido seja "polícia dos deputados e cada um tem a sua legitimidade e assumirá as suas responsabilidades junto dos eleitores".

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que lidera o elenco socialista nas férias do primeiro-ministro, considerou quinta-feira que o caso "fica encerrado" com o reembolso das despesas efetuadas àquele patrocinador oficial da seleção portuguesa de futebol e prometeu um código de conduta para membros do Governo e altos dirigentes sob tutela.

Os secretários de Estado em causa são o dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, o da Indústria, João Vasconcelos, e o da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, que assistiram a jogos da "equipa das quinas" no Euro 2016 a convite da empresa energética portuguesa.

Com Lusa

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