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Assembleia da República cumpre minuto de silêncio pelas vítimas dos naufrágios no Mediterrâneo

A Assembleia da República cumpriu hoje um minuto de silêncio pelas vítimas dos naufrágios no Mediterrâneo, com todos os grupos parlamentares a condenarem "o drama" e a exigirem da Europa medidas concretas e imediatas para o problema.

MIGUEL A. LOPES

MIGUEL A. LOPES

"Tem que acabar aqui o momento da hipocrisia, é fácil falarmos do drama, e fácil falarmos da tragédia, é fácil lamentarmos os milhares de mortos que tem havido, mas é preciso mais", afirmou o deputado do PSD António Rodrigues, numa intervenção no plenário da Assembleia da República.

Defendendo a necessidade de dar uma "dimensão política" ao problema, António Rodrigues disse ser preciso unir chefes de Estado e de Governo e países da União Europeia, assim como todos aqueles que estão na origem do problema, porque é preciso combatê-lo na "fonte".

"Não é atirando com dinheiro para cima do problema que deixará de ser um problema, não é só com reforço do dinheiro que se resolverá", acrescentou, salientando que a questão dos naufrágios no Mediterrâneo não é apenas um problema de Itália ou da União Europeia, tendo-se já transformado num problema global.

Pelo PS, o líder da bancada, Ferro Rodrigues, utilizou as palavras "horror e vergonha" para descrever o que se tem passado no mar Mediterrâneo, onde desde o início do ano mais de 1.600 pessoas morreram.

"Os Estados têm de encontrar soluções humanas, práticas e têm de responder aos problemas concretos", frisou.

Falando em nome do grupo parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães disse ser "inaceitável ficar tudo como está ou mesmo perto daquilo que está".

"Sabemos que do Conselho Europeu de amanhã (quinta-feira) não sairão soluções milagrosas, mas a indiferença não é nunca solução face a este horror", acrescentou, considerando que deverão ser encontradas medidas concretas e não apenas "declarações de intenções".

O deputado António Filipe, da bancada do PCP, reforçou que os milhares de imigrantes que têm morrido no Mediterrâneo são apenas "pessoas que tentam atingir a sobrevivência".

"Não se trata de perseguir um qualquer sonho, trata-se apenas de tentar sobreviver a todo o custo", declarou, condenando a hipocrisia de dirigentes da União Europeia que lamentam as consequências, mas não são capazes de assumir as suas pesadas responsabilidades pela causa do problema.

"A União Europeia não pode lamentar os mortos e expulsar os sobreviventes", acrescentou, defendendo que todos devem ser tratados com dignidade e humanidade.

Corroborando esta ideia, a deputada do BE Helena Pinto condenou uma Europa que "lamenta as mortes no mar, mas depois fecha as portas a quem quer entrar", defendendo "soluções mais abrangentes, mas também mais imediatas que coloquem a vida e dignidade humana em primeiro lugar.

"O genocídio que tem lugar nas águas do Mediterrâneo tem de ter um fim", sustentou.

O deputado do Partido Ecologista "Os Verdes" José Luís Ferreira expressou também a sua indignação pela morte de homens, mulheres e crianças que "fogem da guerra, da fome e da pobreza extrema", preconizando uma alteração das políticas de imigração da União Europeia.

No final das intervenções dos partidos, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, juntou-se "firmemente" na condenação da "imensa tragédia" que ocorre no Mediterrâneo, sustentando que "o problema resolve-se através de uma política que resolve os efeitos, mas trata das causas".

"A dimensão gigantesca do absurdo que está nas imensas tragédias do Mediterrâneo desperta-nos a todos para a nossa responsabilidade no mundo. O que não é a política se não isso mesmo, uma espécie de amor pelo mundo que nós temos que exercer em cada dia e que cabe sobremaneira às lideranças, aqueles que foram eleitos para a condução da vida de todos, para a criação de um bem comum", referiu.

Lusa

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