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Crise Migratória na Europa

União Europeia tem responsabilidade especial perante crise dos imigrantes no Mediterrâneo

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, defendeu hoje que a União Europeia tem o dever de agir perante o fluxo de imigrantes que atravessam o Mediterrâneo, após naufrágios que fizeram centenas de vítimas. 

© Francois Lenoir / Reuters

Enquanto europeus "temos uma responsabilidade especial de tentar impedir esses dramas e enfrentar esta crise", disse a diplomata italiana à margem de um encontro com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em Washington.

Desde o início deste ano, morreram mais de 1.750 imigrantes ao tentar atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa, um número 30 vezes superior ao registado no mesmo período de 2014.

A União Europeia (UE), os Estados Unidos e a União Africana (UA) poderiam trabalhar em conjunto "para salvar as vidas de gente desesperada que procura um futuro melhor, para lutar contra o tráfico de seres humanos e contra aqueles que levam estas pessoas a atravessar o Mediterrâneo", sustentou.

Mogherini deslocou-se na segunda-feira, juntamente com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, a um navio ao largo da costa italiana, em "sinal de solidariedade" com os migrantes, uma semana após o naufrágio de um barco que transportava centenas de pessoas e que fez mais de 800 mortos.

O principal obstáculo com que os europeus se confrontam é o caos que reina na Líbia, de onde partem muitos destes migrantes. A França e o Reino Unido preparam-se para pedir ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução que lhes permita atuar em águas líbias.

"Estamos a trabalhar em conjunto em relação à Líbia, que se encontra num momento crítico em que a diplomacia está posta em causa", declarou, por sua vez, John Kerry.

Reunidos na quinta-feira passada numa cimeira extraordinária em Bruxelas, os dirigentes da UE acordaram triplicar o orçamento da sua operação Tritão, de vigilância e assistência no Mediterrâneo.

Todos os dias, várias centenas de imigrantes, sobretudo africanos mas também muitos sírios, chegam à costa italiana depois de terem sido socorridos pela marinha ou pela guarda-costeira italianas.

Lusa

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