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Refugiados na Europa

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Crise Migratória na Europa

Europa confrontada com a mais grave crise migratória desde 1945

A chegada de milhares de refugiados à Áustria e à Alemanha e o anúncio de que a França está disposta a acolher 24.000 constituem os últimos desenvolvimentos da mais grave crise migratória na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Desde o início deste ano, 366.402 pessoas entraram no continente europeu via mar Mediterrâneo, segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), e 2.800 pessoas morreram ou estão desaparecidas.

© Darren Staples / Reuters

- 23 de abril: Após a morte numa semana de 1.200 migrantes ao largo da Líbia, os países europeus decidem, numa cimeira extraordinária, triplicar o orçamento das operações de salvamento no Mediterrâneo, para nove milhões de euros por mês. É referida a hipóteses de uma ação militar contra os traficantes de pessoas da Líbia, mas a força naval criada a 22 de junho limita-se a aumentar a vigilância, à falta de aval da ONU.

- 13 de maio: A Comissão Europeia propõe a fixação de quotas para dividir entre os países europeus os refugiados ao relançar a imigração legal, o que suscita a hostilidade da maioria dos Estados membros da UE.

- 3 de junho: O número de passageiros da "rota do Mediterrâneo oriental" (via Turquia e Grécia) aumentou mais de 500% no início do ano, sendo metade deles sírios, segundo números da agência europeia de controlo de fronteiras (Frontex).

- 26 de junho: A UE endurece as condições de acolhimento dos migrantes (criação de centros de triagem para refugiados e aceleração das deportações daqueles que não tiverem obtido asilo), embora acordando fazer um esforço para libertar a Itália e a Grécia de 40.000 requerentes de asilo. Mas, no acordo concluído a 20 de julho, só serão oferecidos 32.256 lugares, com base no voluntariado.

- 30 de julho: Em Calais, norte de França, onde se amontoam cerca de 3.000 migrantes, morre um clandestino, o décimo em menos de dois meses, depois de ter tentado alcançar a Grã-Bretanha. Paris e Londres anunciam acordo para aumentar a segurança no túnel sob o Canal da Mancha e combater os traficantes de pessoas.

- 19 de agosto: A Alemanha, principal destino dos requerentes de asilo na UE, anuncia esperar este ano "até 800.000 requerentes de asilo".

- 27 de agosto: Os cadáveres de 71 migrantes, provavelmente sírios, são descobertos num camião abandonado numa autoestrada da Áustria. Na véspera, os cadáveres de 52 migrantes foram encontrados no porão de um barco ao largo da Líbia.

- 2 de setembro: A fotografia do cadáver de Aylan, um menino sírio de três anos jazendo à beira-mar, numa praia da Turquia, provoca reações emocionadas de indignação e revolta.

- 3 de setembro: Mais cerca de 3.300 migrantes chegam à Hungria, um dos principais países de trânsito onde foi construído um controverso muro ao longo da fronteira. Centenas de migrantes tomam de assalto a principal estação ferroviária de Budapeste. Berlim e Paris estão de acordo sobre a ideia de "quotas vinculativas". A Presidência francesa anuncia que a França e a Alemanha vão apresentar "propostas conjuntas para organizar o acolhimento dos refugiados" e fazer uma "distribuição justa" na Europa. A Comissão Europeia pede aos Estados membros que distribuam, com urgência, mais 120.000 refugiados entre si.

- 4 de setembro: O Reino Unido declara-se disposto a receber "mais milhares de refugiados sírios". Mais de um milhar de migrantes retidos em Budapeste iniciam uma viagem a pé em direção à fronteira austríaca. Uma nova marcha é também iniciada no dia seguinte.

- 5 e 6 de setembro: A Áustria transporta para a Alemanha milhares de migrantes que estavam retidos na Hungria. Cerca de 20.000 pessoas, na maioria sírias, entram no país por Munique.

- 7 de setembro: O Presidente francês, François Hollande, anuncia a receção de 24.000 refugiados nos dois próximos anos e declara-se disposto a receber, nas próximas semanas "várias centenas, ou mesmo um milhar" de imigrantes procedentes da Alemanha. Berlim decide desbloquear mais seis mil milhões de euros, quando são esperados mais de 10.000 novos refugiados hoje em Munique.

Lusa

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