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Crise Migratória na Europa

Peritos desvalorizam risco de haver jihadistas entre os refugiados

Os alertas lançados nas últimas semanas sobre o risco da presença de 'jihadistas' entre os milhares de refugiados que chegam à Europa são desvalorizados por peritos, que asseguram que os extremistas têm maneiras mais seguras de entrarem na UE.

© Stoyan Nenov / Reuters

Perante a chegada diária de milhares de refugiados, muitos deles provenientes da Síria, vários dirigentes políticos e o próprio para Francisco alertaram para o "risco de infiltração" de terroristas na Europa.

Especialistas ouvidos pela agência France Presse consideram que esse cenário não é impossível, mas asseguram que grupos extremistas como o Estado Islâmico têm formas mais sofisticadas de chegar à Europa para cometer ataques.

"Penso que é uma preocupação muito válida de um ponto de vista, (mas) o que é importante é lembrar que o grupo tem grande número de cidadãos europeus a combater por ele, com passaportes válidos, que podem regressar por meios convencionais", explicou Matthew Henman, do centro de estudos sobre terrorismo IHS Jane's Terrorism and Insurgency Centre.

O perito admite contudo que uma viagem convencional torna mais fácil a deteção de pessoas com ligações a grupos extremistas, já que esse tipo de controlo não é possível quando se gerem fluxos centenas de milhares de refugiados.

"É atualmente uma das preocupações mais prementes para os responsáveis dos serviços de segurança da Europa ocidental", disse.

O coordenador antiterrorista da União Europeia (UE), Gilles de Kerchove, já tinha pedido em março um reforço da vigilância das fronteiras europeias, afirmando que é "relativamente fácil entrar na UE quando se faz parte de um fluxo de refugiados".

Seis meses passados, o número de migrantes que atravessaram o Mediterrâneo desde janeiro ultrapassa os 430.000, muitos deles provenientes da Síria e do Afeganistão.

"Nesta fase não temos indicação de que haja 'jihadistas' misturados com refugiados", afirmou um responsável dos serviços secretos franceses, sob condição de anonimato.

"É verdade que os 'jihadistas' usam cada vez mais rotas terrestres para não serem detetados", mas também é certo que eles "têm meios financeiros" para entrar na Europa sem arriscarem a vida nas perigosas rotas dos migrantes.

Por outro lado, explicou Matthew Henman, "todos os grandes grupos extremistas da Síria e do Iraque estão concentrados nos combates lá e têm-se limitado, pelo menos publicamente, a pedir aos seus apoiantes que não podem viajar para a Síria e o Iraque e que estão na UE que lancem ataques em seu nome nos seus países. Não estão a mandar pessoas de volta".

Para Alain Chouet, antigo diretor da DGSE dos serviços secretos franceses, a ideia de 'jihadistas' disfarçados de refugiados "não colhe" e "é ridícula".

"Não faz sentido, do ponto de vista operacional, uma rede correr esses riscos. Se o Estado Islâmico estivesse a perder terreno e quisesse lançar uma ofensiva terrorista internacional, não ia mandar os seus soldados com os refugiados. Levariam meses a chegar e com um risco de 50% de se afogarem", explicou.

Em vez disso, acrescentou, o grupo extremista pode mandá-los para a Europa "de avião, com um bilhete a sério e um passaporte a sério, tudo em ordem".

E "podem sempre encontrar três idiotas nos nossos bairros residenciais para fazerem um ataque", acrescentou.

Eric Denece, do centro francês de investigação CF2R, advertiu por seu lado contra os exageros da ameaça de 'jihadistas' disfarçados de refugiados, que pode ser usada por partidos políticos anti-imigração para "barricar a Europa".

"Exagerar a ameaça seria completamente idiota, mas nega-la completamente seria falso", disse.

Lusa

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