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Crise Migratória na Europa

Hungria anuncia instalação de vedação na fronteira com Croácia

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, anunciou hoje o início da instalação de uma vedação em arame farpado na fronteira com a Croácia para se proteger dos milhares de migrantes que pretendem alcançar a Europa ocidental.

Petr David Josek

"Os trabalhos para o encerramento da fronteira começaram (...) parece que não podemos contar com ninguém", declarou Orban, numa entrevista à rádio pública depois da chegada de milhares de migrantes da vizinha Croácia, cujas autoridades consideram "estar saturada" a capacidade de acolhimento.

Ao início da tarde, Zagreb começou a encaminhar os migrantes que estão no seu território para a fronteira com a Hungria.

A vedação vai ser instalada ao longo de 41 quilómetros de terra, acrescentou o primeiro-ministro. Os restantes 330 quilómetros de fronteira entre os dois países estão delimitados pelo rio Drave, de difícil travessia.

"Seiscentos soldados estão já no local, 500 vão chegar durante o dia, e mais 700 serão enviados durante o fim de semana", explicou. Na zona, encontram-se também 200 agentes policiais, estando prevista a chegada durante o dia de mais uma centena e de mais 500 no fim de semana.

"Vai ser impossível esconder-se atrás do mais pequeno monte de terra. Defenderemos as nossas fronteiras", declarou Orban.

A Hungria, defensora de uma linha dura contra os migrantes, tinha já levantado uma barreira ao longo dos 175 quilómetros da fronteira com a Sérvia, por onde passavam a maioria dos requerentes de asilo que pretendem alcançar os países ricos do oeste ou norte da Europa.

As autoridades tinham anunciado a intenção de construir uma vedação a leste, na fronteira com a Roménia.

Mais de 200 mil migrantes, sobretudo oriundos do Médio Oriente e em fuga de zonas de guerra, passaram pela Hungria, principalmente vindos da Sérvia, desde o início do ano.

A fronteira entre a Sérvia e a Hungria está fechada desde terça-feira e milhares de pessoas procuram uma nova rota através da vizinha Croácia. Dali esperam poder continuar o trajeto pela Eslovénia, a oeste, ou pela Hungria, a norte.

A polícia húngara anunciou hoje que 453 migrantes, sobretudo sírios e afegãos, entraram ilegalmente na Hungria, a partir da Croácia, o que é passível, de acordo com a nova legislação entrada em vigor na terça-feira, de ser punido com penas de prisão.

"A rota dos Balcãs ocidentais continua a existir. O encerramento da fronteira entre a Sérvia e a Hungria não impediu novas entradas", indicou o chefe do governo ultraconservador.

Budapeste foi alvo de novas críticas internacionais depois dos violentos confrontos, na quarta-feira, na fronteira com a Sérvia. A polícia respondeu a pedras atiradas pelos migrantes com canhões de água e granadas de gás lacrimogéneo, repelindo as pessoas que tentavam entrar na Hungria.

Viktor Orban afirmou que a violência foi organizada por "um terrorista", detido pelas autoridades, e que um inquérito está em curso.

"Isto mostra a que ponto não se trata apenas de um problema de imigração, mas que devemos falar seriamente de ameaças e de terrorismo", disse.

Esta versão foi contestada pelo antigo primeiro-ministro socialista Ferenc Gyurcsany, que mostrou hoje aos jornalistas um vídeo em que se veem as barreiras abertas do lado da fronteira húngara e os migrantes a avançarem aos gritos de "Obrigada Hungria", antes de serem brutalmente repelidos pela polícia.

"Acuso Viktor Orban de mentir, os migrantes atravessaram a fronteira calmamente a convite da polícia", declarou.

Lusa

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