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ONU prevê 700 mil migrantes na Europa este ano

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) prevê a chegada de 700 mil migrantes e refugiados à Europa, através do Mediterrâneo, durante este ano, antevendo que o número de chegadas deve manter-se igualmente elevado em 2016.

Muhammed Muheisen

"A resposta do ACNUR é agora baseada na suposição de que até 700 mil pessoas irão procurar segurança e proteção internacional na Europa em 2015", indicou a agência da ONU, num relatório hoje divulgado, no qual alertou para a necessidade de fundos adicionais.

No mesmo documento, a organização admitiu que em 2016 poderão ser registados "números ainda mais elevados".

O porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, citado pela agência francesa AFP, confirmou que estes números referem-se especificamente às pessoas que procuram refúgio na Europa através da rota do Mediterrâneo.

Neste novo apelo de fundos, a agência das Nações Unidas destacou o facto de que a nova previsão representa o dobro da anterior estimativa prevista para este ano (350 mil chegadas).

Desde 01 de janeiro, um total de 520.957 chegadas, via Mediterrâneo, foram registadas, incluindo 387.520 na Grécia e 131.000 em Itália, segundo os últimos dados fornecidos pelo ACNUR.

Deste número total, 18% são crianças e 13% são mulheres.

No relatório hoje divulgado, intitulado "Iniciativa especial do Mediterrâneo", a agência da ONU defendeu um plano para uma resposta de urgência face ao atual afluxo de migrantes.

Para tal operação, o ACNUR pediu um financiamento suplementar de 70 milhões de euros. Este valor será associado ao primeiro apelo de fundos lançado no passado dia 08 de setembro.

No total, o ACNUR espera recolher para esta operação cerca de 114 milhões de euros.

Estes fundos irão abranger as ações realizadas entre junho de 2015 e dezembro de 2016.

No mesmo documento, o ACNUR afirmou que este plano apresenta três grandes objetivos, nomeadamente "salvar vidas e responder às necessidades humanitárias nos pontos de trânsito, no primeiro país de chegada, e de destino".

A agência das Nações Unidas também pretende "reforçar os sistemas de proteção, aumentando as capacidades no Corno de África, no norte de África e na Europa".

O terceiro objetivo passa, segundo a organização internacional, "reforçar a disponibilidade de segurança e as soluções nas regiões onde os refugiados encontram pela primeira vez a segurança".

O ACNUR procura ainda melhorar o acolhimento das pessoas, não só na Europa mas também nos primeiros países a que chegam após terem saído dos respetivos países de origem, incluindo os cidadãos sírios que estão refugiados nos países vizinhos da Síria (Líbano, Turquia e Jordânia).

Lusa

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