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Crise Migratória na Europa

Especialista defende que Portugal pode receber cinco vezes mais refugiados

O especialista em estudos demográficos da Universidade de Aveiro (UA), Carlos Jorge Silva, defendeu esta sexta-feira que Portugal poderia receber cinco vezes mais do que os 4500 refugiados previstos, para ajudar a contornar a crise de natalidade.

No passado mês de setembro, o Ministério da Administração Interna revelou que o país deverá acolher cerca de 4.500 refugiados, no âmbito do mecanismo de recolocação de pessoas pelo espaço comunitário.

No passado mês de setembro, o Ministério da Administração Interna revelou que o país deverá acolher cerca de 4.500 refugiados, no âmbito do mecanismo de recolocação de pessoas pelo espaço comunitário.

© Dimitris Michalakis / Reuters

No passado mês de setembro, o Ministério da Administração Interna revelou que o país deverá acolher cerca de 4.500 refugiados, no âmbito do mecanismo de recolocação de pessoas pelo espaço comunitário.

Tendo em conta os números de nascimentos e óbitos de 2014, que representaram uma perda líquida, à escala do país, de 22.549 habitantes, "a entrada de 4.500 refugiados alivia esta quebra em quase 20%", refere uma nota da UA.

Para cobrir o défice demográfico natural, Carlos Jorge Silva diz que seria necessário o quíntuplo do número de refugiados avançado.

"Se pensarmos que 4.500 pessoas representam apenas 0,04% da população portuguesa atual, estamos a falar de uma gota de água no oceano", refere o investigador e coautor do livro "A Demografia e o País: Previsões Cristalinas sem Bola de Cristal", que foi lançado em setembro.

O investigador do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da UA realça ainda que a entrada dos refugiados pode beneficiar a faixa do interior do país de Trás-os-Montes ao Alentejo, onde há regiões que estão entre as dez mais envelhecidas da Europa.

Segundo Carlos Silva, o facto de os refugiados serem maioritariamente casais jovens, muitos com filhos, contribui diretamente para um maior equilíbrio entre os grupos etários dos mais idosos e os dos mais jovens.

Contudo, o especialista adverte que o acolhimento dos refugiados deve der feito com "muito cuidado", dadas "as grandes barreiras linguísticas e culturais entre os povos", realçando a importância da preocupação em não criar guetos, inserindo os novos habitantes na vida da sociedade, com respeito mútuo pelas diferenças.

A implementação de políticas ativas facilitadoras da integração, a aprendizagem da língua, a criação de oportunidades de trabalho, o acesso dos filhos à escola, ou a cobertura das famílias pelo Serviço Nacional de Saúde são outros mecanismos de integração imprescindíveis para o investigador, no processo de acolhimento dos refugiados.

Lusa

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