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Confrontos entre migrantes e polícia francesa após reforço da segurança em Calais

A polícia francesa e um grupo de migrantes entraram hoje em confrontos próximo do porto de Calais (norte de França), o que levou o presidente da camada local a apelar ao "desmantelamento imediato" do campo de refugiados aí existente.

© Philippe Wojazer / Reuters

Segundo a agência France Presse, os confrontos começaram quando a polícia estava a efetuar procedimentos de controlo no campo de Teteghem, próximo de Calais, depois de indicações de que o centro estaria a ser controlado por uma rede de tráfico de pessoas.

Desconhece-se, para já, se há feridos.

O presidente da Câmara de Tataghem, Frank Dhersin, descreveu o centro de refugiados como uma "zona sem lei".

"Dei ordens para o desmantelamento imediato do campo, se necessário, pela força. O centro tem estado desde sempre nas mãos dos traficantes. É uma máfia que funciona como um gangue de tráfico de droga", disse Dhersin.

O edil de Teteghem referiu que as autoridades policiais francesas têm detido alguns traficantes na região, mas apenas "arraia-miúda", e acusou o Governo britânico de não conseguir deter os "chefes da máfia" que, assegurou, estão no Reino Unido.

O centro de refugiados de Teteghem alberga atualmente cerca de 250 migrantes, na sua maioria sírios, iraquianos, iranianos e vietnamitas, e acolhe os refugiados mais abastados, capazes de pagar milhares de euros para serem transportados, através do Canal da Mancha, para o Reino Unido.

Cerca de 6.000 outros refugiados estão reunidos noutro centro a poucos quilómetros, no campo "New Jungle" (Nova Selva), em Calais, ainda à espera de encontrar forma de seguirem pelo túnel de carro, comboio ou barco.

Hoje, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, reivindicou que as medidas de reforço da segurança introduzidas na semana passada na região de Calais, que incluiu o envio de uma força adicional de 400 polícias, já começaram a dar fruto.

Cazeneuve sustentou que nenhum migrante consegue atravessar o Canal da Mancha desde domingo e que as tentativas diárias para o fazer baixaram de cerca de 1.300 para pouco mais de 240.

Com cerca de 1.125 polícias na região, Cazeneuve referiu que o forte dispositivo de segurança na região está a permitir "enviar uma mensagem" aos traficantes de pessoas.

Paralelamente, duas agências não-governamentais pediram hoje assistência humanitária de emergência para os emigrantes concentrados no campo "New Jungle", que incluem também o reforço de água potável e de serviços sanitários.

Lusa

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