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Jorge Sampaio diz que a Europa não teve liderança política na crise dos refugiados

O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, considera que a "falta de liderança política" da crise dos refugiados se "tornou gritante no plano europeu, bem como a incapacidade de a Europa agir e reagir a uma só voz".

© Rafael Marchante / Reuters

Falando na "Grande Conferência Visão Solidária e Montepio", a decorrer até ao final da tarde em Lisboa, Jorge Sampaio acrescentou que "o problema na Europa é apenas de falta de visão e vontade política, não se trata nem de falta de meios, nem de instrumentos de ação".

Para o ex-chefe de Estado, cuja intervenção se intitulou "Pensar a questão dos refugiados fora da caixa", a dimensão e a complexidade do fenómeno dos refugiados em 2015 "não é comparável à situação que existia há meio século atrás. Em 1950 havia um milhão de refugiados, hoje são mais de 70 milhões".

Assim, as respostas à crise "não serão simples nem imediatas", mas há que "investir muito mais numa solução política", ainda que existam, neste caso, "interesses políticos contraditórios", acrescentou Jorge Sampaio, que foi Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações entre 2007 e 2013.

Para o ex-Presidente, em relação ao caso da Síria, do Iraque e da Líbia, mas também do Iémen, da Eritreia e do Sudão, do norte da Nigéria ou do Sahel, "não se tem feito o suficiente em termos de esforços diplomáticos para a mediação de conflitos e a procura de soluções negociadas".

Em relação à ameaça terrorista, Sampaio afirmou que deve ser encarada "com a devida seriedade" mas sem alimentar "comportamentos irracionais, receios infundados e a histeria coletiva".

"O medo não pode ditar a supressão dos direitos individuais e das liberdades fundamentais, impor a suspensão do Estado de Direito. O medo e o terror não podem fazer-nos fechar fronteiras e encerrar o espaço público" pois, agindo desse modo, "estaremos a fazer o jogo dos terroristas e a renunciar a nós próprios, estaremos a deslizar para a tão propalada guerra das civilizações", acrescentou.

Para Jorge Sampaio, "o que está a acontecer à volta da Europa, na cintura de países que a rodeiam, sobretudo a Sul e a Sudeste, é um conjunto de crises e conflitos com epicentros vários e com causas diversas, mas interligadas e, porventura, todas provocadas por essa espécie de 'big bang' que consistiu a invasão do Iraque em 2003".

De acordo com o antigo chefe de Estado, há, atualmente, 37 focos de conflito em curso e a duração média de permanência num campo de refugiados é de 17 a 20 anos, permanecendo ali muitas crianças "que vão passar anos sem ir à escola".

A "Grande Conferência Visão Solidária e Montepio" contará, entre outras, com uma intervenção de Rui Marques, coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados.

Lusa

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