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Avó e pescador de Lesbos na lista para Nobel da Paz

Emilia, 85 anos, e Stratis, 40, estão na lista para o Nobel da Paz. São dois cidadãos gregos que, tem em comum, a ilha de Lesbos e o facto de terem ajudado, no mar e em terra, homens, mulheres e crianças que fogem da guerra.

Emilia Kamviski, de 85 anos foi fotografada a alimentar um bebé sírio em Lesbos.

Emilia Kamviski, de 85 anos foi fotografada a alimentar um bebé sírio em Lesbos.

© Petros Tsakmakis / Reuters

Stratis Valiamos, 40 anos, pescador, ajudou dezenas de pessoas durante um naufrágio

Stratis Valiamos, 40 anos, pescador, ajudou dezenas de pessoas durante um naufrágio

© Giorgos Moutafis / Reuters

"O que é que eu fiz? Eu não fiz nada?" diz Emilia Kamvisi, de 85 anos. Mas fez. Ajudou em terra muitos refugiados que se lançaram ao mar, às escuras, para fugir à guerra, para pisar solo europeu.

Numa dessas ocasiões foi fotografada, com duas amigas, a alimentar um bebé com um biberão. Aconteceu em outubro do ano passado. A imagem correu mundo. A Grécia, o país que a viu crescer, decidiu sugerir o seu nome para o Nobel da Paz.

Emilia é filha de refugiados e desses tempos guarda memórias. Conta que viu cenas que lhe fizeram lembrar os tempos da ocupação nazi: "pessoas a chorar nos botes, a deixarem as suas casas, a dormir nas ruas". Não podia, por isso, ficar de braços cruzados.

Mas não é a única. Stratis Valiamos, 40 anos, pescador da ilha de Lesbos, também foi proposto para o Nobel da Paz. Também ele espelha o comportamento e atitude do país, quer ao nível das organizações quer dos voluntários, que ajudaram a salvar homens, mulheres e crianças que fugiam da guerra e da pobreza. É desta forma que o Governo grego sustenta as nomeações.

"Quando estás a pescar e vês um barco a afundar-se ao teu lado e as pessoas a gritar por ajuda, não podes fingir que não estás a ouvi-las" diz Stratis que, também em outubro passado, salvou dezenas de pessoas do mar. 240 pessoas foram salvas durante o naufrágio, recorda. "As pessoas dizem que somos heróis, mas isto não é heroísmo, é uma coisa normal".

Susan Sarandon,a atriz norte-americana, foi também proposta pela Grécia. Passou o Natal e o Ano Novo em Lesbos a ajudar os refugiados e a recolher as suas histórias.

Na internet, surgiu também uma petição, para acrescentar à lista, os habitantes das ilhas gregas, que recebem refugiados.

O Instituto Nobel Norueguês não divulga os nomes dos nomeados para o prémio. Já quem faz as propostas pode divulgá-los.

Entre os candidatos para a edição deste ano,estão Edward Snowden, um ex-consultor da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos e os negociadores do processo de paz da Colômbia, de acordo com a Agência Reuters.