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Refugiados na Europa

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Crise Migratória na Europa

Papa diz que Europa deve e pode mudar relativamente às migrações

O papa Francisco defendeu que a Europa "deve e pode mudar", considerando que o continente não é capaz de responder à atual crise migratória, numa entrevista publicada hoje pelo jornal italiano Correiere della Sera.

© Tony Gentile / Reuters

"A Europa deve e pode mudar e deve e pode reformar-se. Se não é capaz de ajudar economicamente os países de onde vêm os refugiados, então tem de pensar no problema de como enfrentar este grande desafio que é, em primeiro lugar, humanitário e não só", afirmou.

A esperança do papa é que um dia "a Europa sorria aos imigrantes".

Para Francisco, a Europa "tem de encarar este desafio com inteligência" porque "por detrás [dele] está o terrível e enorme problema do terrorismo".

O papa considera também que "se quebrou um sistema de educação: aquele que transmitia os valores de avós para netos e de pais para filhos e é preciso pensar no problema de como o reconstruir".

Francisco voltou a referir-se a uma "Europa idosa que já não é fértil nem vivaz", comparando-a a Sara, a mulher de Abraão idosa que não pode ter filhos mas milagrosamente consegue procriar aos 90 anos.

O papa já havia usado aquela expressão sobre a Europa no discurso que proferiu perante o Parlamento Europeu e contou agora, nesta entrevista, que depois da sua deslocação a Estrasburgo lhe ligou a chefe do Governo da Alemanha, Angela Merkel, "zangada" pela comparação da Europa com "uma mulher estéril".

"Perguntou-me se eu pensava mesmo que a Europa não podia ter filhos e eu respondi que sim, que a Europa ainda pode ter filhos porque tem raízes sólidas e profundas, porque teve e pode ter um papel fundamental (...) e porque os momentos mais escuros mostraram que tem sempre recursos", contou.

Na entrevista, Francisco revelou a sua admiração pelas "grandes personagens esquecidas" na Europa após a segunda guerra mundial, citando o alemão Adenauer, o francês Robert Schuman e o italiano Alice De Gasperi.

Por outro lado, considerou que "o Ocidente tem de fazer autocrítica" em relação à forma como lidou com a situação na Líbia "antes e depois da intervenção militar".

Lusa

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