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Crise Migratória na Europa

Entre Janeiro e fevereiro 40 mil crianças migrantes chegaram à Europa

Nos dois primeiros meses do ano, chegaram à Europa 40 mil crianças migrantes, divulgou hoje o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados, que voltou a alertar para as condições desumanas em que estes sobrevivem.

A Alemanha e a Suécia são os dois principais recetores de migrantes.

A Alemanha e a Suécia são os dois principais recetores de migrantes.

© Fabrizio Bensch / Reuters

"Só em janeiro e fevereiro entraram na Europa 40 mil crianças e vejam como é que estão a dormir", anunciou Rui Marques, durante a apresentação do projeto "Mais do que números", destinado a promover, junto dos alunos do 3.º ciclo e do secundário, o conhecimento sobre migração e asilo na União Europeia (UE).

Rui Marques mostrou um vídeo de dois minutos, com imagens de crianças sírias que conseguiram chegar à Europa, como a pequena Ahmed, de seis anos, que dorme na relva num descampado na Sérvia, ou de Abdullah, de cinco anos, que descansa num colchão sujo, no meio de um descampado na Sérvia.

"Todos os dias sonho com duas coisas: dormir novamente numa cama e abraçar a minha irmã mais nova" é a frase que ilustra a imagem de Abdul Karim, 17 anos, que conseguiu chegar à Grécia.

Sobre Shehd, de sete anos, que aparece a descansar em cima de roupas pousadas no cimento, algures na fronteira da Hungria, fica-se a saber que "todos os seus desenhos têm o mesmo tema: armas".

De Wallaa, de cinco anos, sabemos apenas que "deitar a cabeça na almofada é horrível, porque é à noite que são os ataques".

"Perante estas pessoas que nos batem à porta, a Europa tem sido lamentavelmente incapaz e incompetente de dar uma resposta", acusou Rui Marques.

Só no ano passado, chegaram à Europa mais de um milhão de pessoas refugiadas e requentes de asilo.

Portugal mostrou disponibilidade para acolher cerca de dez mil pessoas, lembrou por seu turno o ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, também presente na apresentação do projeto "Beyond Not Just Numbers - Mais do que Números", que decorreu hoje, no Liceu Camões, em Lisboa.

"Só nos dois primeiros meses deste ano, chegaram mais de 120 mil pessoas e mais de 400 pessoas morreram a atravessar o mar, muitas delas eram crianças e jovens. E receia-se que a primavera intensifique a dimensão deste drama", recordou Eduardo Cabrita, lembrando que "estas pessoas não estão a fazer uma opção em busca de qualquer sonho europeu". "Estas pessoas fogem da guerra, da morte, da violência atroz".

Consciente de que "a fria aritmética impede muitas vezes da empatia necessária", o executivo relançou um programa para sensibilizar os jovens, numa iniciativa conjunta do Alto Comissariado para as Migrações e da Direção-Geral da Educação, que passa pela distribuição de materiais educativos nas escolas.

Este é um dos projetos levados a cabo pelo atual governo, que já criou um grupo de trabalho, no qual participam responsáveis do Ministério da Educação e da secretaria de Estado da Igualdade e Cidadania, para desenhar ações junto dos alunos no que toca à cidadania, uma área que o atual Ministro da Educação considera ter sido mal tratada pelo seu antecessor.

O ministro Tiago Brandão Rodrigues sublinhou hoje a importância da Educação nesta matéria, recordando uma famosa frase de Nelson Mandela - "A educação é a arma mais poderosa que temos ao dispor para mudar o mundo".

"Na Europa, tal como na vida, não há eles e nós. Só há nós", sublinhou Tiago Brandão Rodrigues.

Lusa

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