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Crise Migratória na Europa

Áustria pede à Alemanha que defina número máximo de refugiados a acolher

O chanceler austríaco Werner Faymann pediu hoje à Alemanha que defina claramente o número máximo de refugiados que está disposta a acolher, para evitar a entrada descontrolada de migrantes através da rota dos Balcãs.

Vadim Ghirda

"A Alemanha deve fixar rapidamente um número limite de refugiados que pode acolher, vindos da Síria e da Turquia", declarou o chanceler social-democrata, em entrevista ao jornal diário Kurier, e citado pela France Press.

Na entrevista, Faymann sugeriu que a Alemanha determine um limite máximo de 400 mil refugiados, calculado em relação ao estabelecido pela Áustria (com uma população 10 vezes menor que a Alemanha) que anunciou que não aceitará mais de 37.500 refugiados este ano.

O político austríaco disse acreditar que Berlim anuncie brevemente uma medida idêntica, pois, caso contrário, cada refugiado pensará que pode ir pela rota dos Balcãs até à Áustria e logo a seguir "dar o salto" para a Alemanha, explicou.

Fayman insistiu que o "deixar passar" tem que acabar e ser substituído por um mecanismo em que os refugiados sejam acolhidos na Turquia, Líbano e Jordânia e atendidos aí pelas equipas das Nações Unidas, com a ajuda dos países da União Europeia (UE).

A Alemanha é o destino privilegiado dos migrantes que fogem das zonas de conflito do Médio-Oriente e que percorrem uma rota que passa pela Turquia e pela Grécia.

Segundo o chanceler austríaco, tem de haver uma entrada legal na UE, baseada num limite máximo, de maneira a evitar a entrada "caótica e descoordenada" de migrantes.

Fayman defendeu que se os 28 países da União Europeia seguirem o exemplo austríaco e fixarem um plafond proporcional à sua população a UE poderia receber cerca de dois milhões de refugiados.

Alemanha e Áustria anunciaram em setembro de 2015 uma política de portas abertas face aos conflitos no Médio Oriente, designadamente na Síria, tendo o chanceler recordado que essa política foi "temporária" e que agora há que "voltar à normalidade".

Faymann criticou países da UE que confiaram que Áustria, Alemanha e Suécia resolveriam sozinhos a crise dos refugiados, pelo que adotaram uma posição não solidária.

O chefe do governo austríaco alertou que compete à UE celebrar acordos de colaboração com a Turquia, para que este país combata o tráfico de pessoas e o fluxo incontrolado de migrantes.

Segundo o diário austríaco Der Standard, a ideia é fechar a rota dos Balcãs, ajudar a Grécia a criar centros de acolhimento para 50 mil refugiados e expulsar, de regresso à Turquia, todos os migrantes que não preencham as condições para pedir asilo.

Nas últimas semanas, a Áustria e os restantes países da rota dos Balcãs, com exceção da Grécia, endureceram os controlos fronteiriços e só permitiram a passagem diária de cerca de 580 refugiados, verificando se são oriundos de zonas de conflito ou se são imigrantes económicos.

A Comissão Europeia criticou a introdução pela Áustria de uma quota máxima para a entrada de refugiados, mas Faymann assegura que o seu governo manterá esta política, embora reconhecendo que a questão causará tensões com Bruxelas.

Lusa

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