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Crise Migratória na Europa

ACNUR diz que "hotspots" na Grécia se tornaram "centros de detenção"

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) lamentou hoje que os "hotspots" de acolhimento de migrantes na Grécia se tenham tornado em "centros de detenção" após o acordo entre a União Europeia e Turquia e decidiu abandonar parcialmente os locais onde presta assistência.

Centro de registo de refugiados na ilha de Lesbos, Grécia.

Centro de registo de refugiados na ilha de Lesbos, Grécia.

© Alkis Konstantinidis / Reuter

"O ACNUR tem apoiado as autoridades nos 'hotspots' nas ilhas gregas, onde os migrantes são recebidos, assistidos e registados", explicou, num comunicado, a agência da ONU.

No entanto, acrescenta-se no documento, face às novas disposições, na sequência do acordo entre a UE e a Turquia, esses locais de acolhimento acabaram por tornar-se em "instalações de detenção".

"Em consequência, e conforme a nossa política, que se opõe à detenção obrigatória, suspendemos várias das nossas atividades em todos os centros fechados existentes nas ilhas gregas", escreve o ACNUR.

Entre as atividades em causa, o ACNUR suspendeu o transporte dos migrantes para os centros, apesar de manter os serviços de informação e de vigilância para assegurar que os direitos dos refugiados são respeitados.

Por outro lado, o pessoal do ACNUR continuará a estar presente no litoral e nos portos gregos para apoiar os migrantes e para os transportar, em caso de necessidade, para os hospitais locais.

O ACNUR manifestou-se "preocupado" se o acordo entre Bruxelas e Ancara for para a frente antes de a Grécia conseguir obter garantias para assegurar as necessidades básicas dos migrantes.

"Atualmente, a Grécia não tem capacidade suficiente nas ilhas para permitir uma boa avaliação dos que pedirem asilo, nem as condições adequadas para acolher as pessoas decentemente", refere-se no documento.

O acordo assinado sexta-feira em Bruxelas prevê o reenvio sistemático para os locais de partida de todos os migrantes que, chegados à Grécia depois de 20 de março, vejam o pedido de asilo recusado.

Por cada cidadão sírio reenviado para a Turquia, um outro da mesma nacionalidade será reinstalado na UE, até se atingir um total de 72.000 migrantes.

Segundo as autoridades gregas, os migrantes permanecerão nas ilhas, onde se concentram em cinco "hotspots" existentes (campos de registo e de identificação), cuja capacidade deverá ser aumentada de 6.000 para 20.000 pessoas.

Segundo o ACNUR, desde o início do ano chagaram à Grécia 147.437 migrantes, 49% deles sírios.

Lusa

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