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Quadros de Miró em leilão para ajudar refugiados

O neto de Joan Miró vai leiloar 28 obras do pintor catalão e todo o dinheiro será empregue em ajuda para refugiados.

Joan Miro, Paysanne en colère.

Joan Miro, Paysanne en colère.

Christie’s

Proprietário das obras, Joan Punyet Miró disse à agência France Press que faz esta doação porque teria sido essa a vontade do seu avô.

"Considero-me o executante da sua vontade e tento fazer o que ele faria se ainda fosse vivo", afirmou Joan Punyet Miró.

O leilão foi entregue à casa Christie´s de Londres que espera conseguir pelo menos 50 mil euros para entregar à Cruz Vermelha.

"Miró passou por muitas dificuldades ao longo da vida", recordou o neto. "Passou fome e viveu em exílio durante a Guerra Civil de Espanha, a II Guerra Mundial e conheceu a desolação dos campos de refugiados", de espanhóis que viveram em campos ao longo da fronteira com a França.

Miró, defensor dos Republicanos na Guerra Civil espanhola, estava em França quando o conflito estalou, tendo decidido ficar em Paris. Viveu em França, com a mulher e o filho, até à invasão nazi em 1940, que o fez regressar à Espanha franquista.

"Ele sempre quis ajudar os mais desfavorecidos, os refugiados e os que exilados. Hoje estaria consciente de que o que está a acontecer na Síria poderia acontecer em Espanha", salientou Joan Punyet.

Miró, que morreu em 1983 com 90 anos, tinha uma dívida de gratidão para com a Cruz Vermelha, já que foi um médico desta organização que salvou a perna da sua única filha - mãe de Joan Punyet - na sequência de um acidente de automóvel em 1965.

A vice-presidente da Cruz Vermelha espanhola, Rosa María Marco, realçou que as 28 peças cedidas por Joan Punyet Miró se "destinam a projetos solidários da organização, como o acolhimento e a prestação de cuidados da população refugiada no Leste da Europa".

O lote vai a leilão a 19 de maio.

Com agências