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Crise Migratória na Europa

Leilão de 28 quadros de Miró obtém 62 mil euros para os refugiados

Um leilão de 28 obras do pintor catalão Joan Miró hoje realizado em Londres a favor dos refugiados permitiu recolher 47.600 libras (62.000 euros), anunciou a leiloeira Christie's.

Christie's Auctions

Esta soma, superior às estimativas, será entregue à Cruz Vermelha.

O antigo proprietário das obras, o neto do artista, explicou à agência de notícias francesa AFP, antes do leilão, que tinha decidido doar esta coleção por ser o que Miró desejaria que fizesse.

"Considero-me o executante da sua vontade e desejo fazer o que ele mesmo teria feito se ainda fosse vivo", disse Joan Punyet Miró.

"Miró sofreu muitas provações na sua vida. Conheceu a fome, o exílio durante a guerra civil espanhola, a Segunda Guerra Mundial, e conheceu a desolação dos campos de refugiados", sublinhou.

Exilado em Paris durante a Guerra Civil de Espanha, entre 1936 e 1939, Miró, simpatizante republicano, acompanhara de perto o destino dos refugiados espanhóis fugidos ao regime de Franco.

"Ele sempre quis ajudar as pessoas desfavorecidas, os refugiados e os exilados. Se ainda fosse vivo, consideraria que o que hoje se passa na Síria poderia acontecer amanhã em Espanha", disse ainda o neto do pintor.

Desde o início do conflito na Síria, em 2011, mais de 4,8 milhões de refugiados fugiram do país, contribuindo para a mais grave crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial.

Segundo a ONU, há cerca de 60 milhões de pessoas refugiadas ou deslocadas em todo o mundo.

Miró, que morreu em 1983, aos 90 anos, tinha razões pessoais para estar grato à Cruz Vermelha: um médico da organização humanitária internacional salvara a perna da sua filha, mãe de Joan Punyet Miró, quando ela ficou gravemente ferida num acidente de viação, em 1965.

"O meu avô fez uma tapeçaria para a Cruz Vermelha como agradecimento por ter salvado a filha, a sua única descendente", disse o neto do pintor catalão.

Lusa

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