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Refugiados na Europa

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Crise Migratória na Europa

Timmermans assegura que muros da Europa não vão parar entrada de migrantes

O vice-presidente da Comissão Europeia Frans Timmermans assegurou hoje que muros na Europa "não vão parar ninguém", desafiando uma plateia de estudantes portugueses a redescobrir o sentimento de comunidade baseado na diversidade.

© Marko Djurica / Reuters

"Tentámos criar uma sociedade multicultural com base na tolerância, mas não era tolerância, era indiferença, e por isso fracassámos. (...) Temos de redescobrir um sentimento de comunidade baseado na diversidade, na inclusão, que perdemos", disse.

Timmermans referiu que nas várias visitas que fez a campos de refugiados, na Turquia, Líbano ou Jordânia, todas as pessoas com quem falou lhe disseram o mesmo: "Quero ir para casa".

"Estamos a abandoná-los [nos seus países], eles ficam desesperados e por isso querem ir para a Europa", explicou.

"E os muros não vão parar ninguém. A mim não parariam se eu tivesse de salvar os meus filhos", disse, sublinhando a necessidade de ajudar os refugiados "a viver com dignidade até poderem voltar".

Falando da necessidade de haver fronteiras externas, no sentido de limites, mas nunca muros, Timmermans evocou as posições a favor do acolhimento de refugiados e contra o levantamento de muros na Europa assumidas pela chanceler alemã: "Angela Merkel lembra-se de viver atrás de um muro, sem liberdade", disse, referindo-se ao Muro de Berlim.

Os fluxos migratórios, assegurou, vão "estar aí" por "pelo menos uma geração", pelo que "a Europa tem de escolher: ou constrói muros ou espalha a sua paz e prosperidade" aos países à sua volta.

"Tapar os olhos e os ouvidos não vai ajudar", disse.

Frans Timmermans, que falava na Universidade Católica numa iniciativa da representação da Comissão Europeia intitulada "Diálogos", respondeu a várias perguntas de estudantes sobre perda de identidade cultural, integração de refugiados, nacionalismo e "a inação" das instituições europeias.

Nas respostas, o primeiro vice presidente da Comissão admitiu que, em face da "tempestade perfeita" que se criou com a falta de resposta europeia à crise migratória, pensou pela primeira vez que "isto [a União Europeia] pode correr mal" e desafiou os estudantes a não esperar passivamente pelo que a Europa faz, mas a construírem eles próprios o futuro europeu.

"A Europa é o vosso habitat natural [...] e vocês são a geração mais saudável, mais instruída, mais informada de sempre. Não perguntem o que vamos fazer, sejam vocês a fazer. Organizem-se. Reinventem a sociedade, a governação, as instituições. Se não o fizerem, fazemo-lo nós, à nossa imagem", lançou.

Sobre cultura e identidade, o vice-presidente assegurou que "a cultura não está gravada na pedra", evolui pelo confronto com outras culturas, e "fechar-se é o caminho mais rápido para morrer".

Timmermans frisou que muitos dos europeus que se manifestam contra o acolhimento de refugiados não o fazem por racismo ou xenofobia, mas porque "têm medo de que, se muitos vierem, os seus interesses deixem de ser tidos em conta" pelas autoridades.

"Cabe aos políticos dar resposta a esses medos", disse.

Lusa

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