sicnot

Perfil

Refugiados na Europa

Refugiados na Europa

Crise Migratória na Europa

Amnistia Internacional denuncia "tratamento terrível" de migrantes na Hungria

A Amnistia Internacional (AI) denunciou, num relatório divulgado esta segunda-feira, o "tratamento terrível" infligido pelas autoridades da Hungria a milhares de migrantes, incluindo crianças desacompanhadas, como uma "estratégia populista deliberada".

"Esperança encalhada: o ataque sustentado da Hungria aos direitos de refugiados e migrantes" é o título do documento, divulgado a cinco dias do referendo promovido pelo governo conservador de Viktor Orban sobre o sistema europeu de quotas para o acolhimento de migrantes.

"Milhares de candidatos a asilo sofrem abusos violentos, são repelidos ilicitamente e detidos ilegalmente pelas autoridades da Hungria e por um sistema flagrantemente delineado para os travar", afirma a organização internacional de defesa dos direitos humanos.

Segundo o documento, centenas de candidatos a asilo esperam meses por uma resposta, em "condições degradantes", muitos outros são empurrados para território sérvio e vários foram detidos ilegalmente por longos períodos.

"O primeiro-ministro Orban substituiu o primado da lei pelo primado do medo. As suas tentativas para impedir deliberadamente refugiados e migrantes de chegar à Hungria têm sido acompanhadas por um padrão ainda mais perturbador de ataques contra eles e contra as salvaguardas internacionais criadas para os proteger", disse o diretor da AI para a Europa, John Dalhuisen.

"O tratamento chocante e os procedimentos labirínticos para [a concessão de] asilo são um estratagema cínico para manter os candidatos fora das cada vez mais militarizadas fronteiras da Hungria. Na tóxica campanha para o referendo, a venenosa retórica anti-refugiados atinge níveis inflamados", acrescentou.

O relatório baseia-se em investigações realizadas na Sérvia, Hungria e Áustria e em entrevistas a 143 pessoas, na maioria refugiados e migrantes.

A Hungria terminou há um ano a construção de uma vedação ao longo da fronteira com a Sérvia, mais tarde estendida à fronteira com a Croácia, e aprovou legislação para acelerar os processos de avaliação de pedidos de asilo, apreciados em "zonas de trânsito" -- contentores de metal -- abertos em duas passagens fronteiriças cuja capacidade não excede os 30 atendimentos por dia, deixando centenas de pessoas em campos improvisados do outro lado da fronteira.

Sobre o referendo de domingo, o documento explica que a questão colocada aos eleitores não diz diretamente respeito ao sistema de quotas ou a outras medidas europeias, mas se "a Europa deve ditar, mesmo sem acordo da Assembleia Nacional, a instalação obrigatória de cidadãos não-húngaros".

Segundo a AI, a campanha para o referendo tem sido acompanhada pela colocação de centenas de cartazes por todo o país com mensagens que relacionam refugiados e migrantes com terrorismo e outros crimes violentos.

"As mesmas mensagens são difundidas na rádio e na televisão, publicadas na imprensa e repetidas em comunicados do governo".

O relatório da AI, de 30 páginas, descreve uma série de situações de abuso dos direitos básicos dos migrantes e termina com um conjunto de recomendações ao governo húngaro e às instituições europeias.

A Bruxelas, a AI pede nomeadamente que conclua o procedimento por infração da legislação europeia neste domínio e que assegure o seu cumprimento futuro.

Lusa

  • Primeiro eclipse solar 100% visível nos EUA em 38 anos
    0:40
  • "É muito importante que os EUA mostrem determinação política e militar"
    0:50

    Mundo

    Os exércitos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos iniciaram hoje as manobras anuais numa altura marcada pela recente escalada de tensão entre Pyongyang e Washington. Para Miguel Monjardino, comentador da SIC, estes exercícios militares são encarados como uma provocação para a Coreia do Norte. Monjardino defende que é importante que os EUA mostrem determinação no atual clima de tensão nuclear.

  • Campanha eleitoral em Angola chega hoje ao fim

    Mundo

    Os candidatos às eleições gerais angolanas de quarta-feira terminam hoje um mês de campanha, com milhares de quilómetros percorridos, uma breve aparição de José Eduardo dos Santos e as possíveis coligações em destaque.

  • China prepara-se para inaugurar comboio mais rápido do mundo
    1:08
  • Morreu o rei da comédia
    2:08

    Cultura

    Um dos grandes nomes do humor norte-americano morreu ontem, aos 91 anos. Jerry Lewis era comediante, ator, argumentista, cantor e realizador. Considerado o rei da comédia, Lewis influenciou diferentes gerações de comediantes e foi defensor de várias causas humanitárias, entre as quais a distrofia muscular.

  • A insólita entrevista de Jerry Lewis que se tornou viral
    2:39

    Cultura

    Jerry Lewis concedeu no início deste ano uma entrevista insólita que se tornou viral nas redes sociais. O comediante decidiu, pura e simplesmente, não colaborar com o entrevistado. Lewis tinha na altura 90 anos e continuava a trabalhar, tendo participado no filme "Max Rose", em 2016.