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Crise Migratória na Europa

Número de mortos em naufrágio na costa do Egito sobe para 202

Novos corpos foram esta terça-feira recuperados ao largo do Egito, elevando para pelo menos 202 mortos o balanço do naufrágio de uma embarcação de pesca ocorrido na semana passada e que transportava centenas de migrantes, divulgaram as autoridades egípcias.

A embarcação virou-se na quarta-feira passada no Mediterrâneo, a cerca de 12 quilómetros ao largo da cidade portuária de Rosetta, e transportava pelo menos 450 migrantes, segundo os testemunhos de vários sobreviventes.

"O número de mortos no naufrágio de uma embarcação com migrantes ao largo de Rosetta subiu para 202", anunciou o Ministério da Saúde egípcio num comunicado, precisando que "33 corpos foram recuperados" durante o dia de hoje.

O anterior balanço do naufrágio dava conta de mais de 160 mortos.

"A embarcação está a ser transportada para terra", indicou, em declarações à agência francesa noticiosa AFP, Wahdan al-Sayyed, um porta-voz da província de Beheira, onde está localizada a cidade portuária.

O mesmo porta-voz tinha anunciado anteriormente que os destroços da embarcação tinham sido colocados novamente a flutuar e que as equipas de resgate tinham conseguido ter acesso à câmara frigorífica da embarcação de pesca, onde viajavam mais de 100 pessoas, de acordo com os testemunhos de sobreviventes.

Pelo menos 163 pessoas foram resgatadas pelas equipas de socorro.

A maioria dos sobreviventes são oriundos do Egito, mas também existem pessoas do Sudão, Eritreia, Síria e da Etiópia, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Este naufrágio surge meses após responsáveis da agência de gestão de fronteiras da União Europeia (Frontex) ter alertado para o crescente número de migrantes que tentam alcançar a Europa a partir do Egito, um novo ponto de partida para a perigosa travessia e que surge na sequência do encerramento da rota dos Balcãs e do acordo União Europeia (UE) /Turquia sobre migrações e refugiados.

As embarcações disponibilizadas pelos traficantes estão muitas vezes em mau estado e sobrelotadas com passageiros que pagaram a viagem.

Segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), as partidas de embarcações do Egito representam cerca de 10% das chegadas à Europa.

A agência da ONU informou na sexta-feira que mais de 4.600 pessoas não egípcias, grande parte oriunda do Sudão e da Etiópia, foram detidas este ano quando tentavam viajar por mar a partir da costa norte do Egito.

"Perto de 302.149 migrantes e refugiados entraram na Europa por mar durante o ano corrente", indicou hoje a OIM num comunicado, precisando que estas chegadas são feitas principalmente via Grécia e Itália.

Cerca de 3.500 pessoas estão dadas como desaparecidas ou perderam a vida quando tentavam atravessar o Mediterrâneo em direção à Europa, de acordo com a ONU.

Lusa

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