sicnot

Perfil

Refugiados na Europa

Refugiados na Europa

Crise Migratória na Europa

Aquarius continua em alto mar, Itália e Malta mantêm "braço-de-ferro"

Guglielmo Mangiapane

O navio com 629 migrantes resgatados no Mediterrâneo por uma ONG permanece hoje no mar devido ao impasse entre Itália e Malta, que lhe recusam entrada e se acusam mutuamente de violação da lei internacional. A ONU e Bruxelas proncuniaram-se esta segunda-feira sobre o caso e pediram a Malta e a Itália o desembarque imediato dos migrantes do Aquarius.

No domingo à noite, numa mensagem colocada no Twitter, o primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, confirmou que não vai deixar aportar o navio e acusou Itália de pôr em risco as vidas dos migrantes, entre os quais há 123 menores e sete grávidas, e de desrespeitar as regras internacionais.

"Malta está a cumprir plenamente as suas obrigações internacionais e não vai receber o navio nos seus portos. Continuaremos, quando possível, a fazer retiradas individuais e humanitárias de emergência", escreveu Muscat.

Noutra mensagem, o primeiro-ministro maltês afirmou estar "preocupado" com as instruções dadas ao navio pelas autoridades italianas, que "vão manifestamente contra as regras internacionais e arriscam criar uma situação perigosa para todos os envolvidos".

Itália recusou no domingo autorizar o navio Aquarius, da organização não-governamental (ONG) francesa SOS Mediterranée, a desembarcar num porto italiano os migrantes, resgatados do mar em várias operações durante o dia de sábado.

Por ordem das autoridades italianas, o navio mantém-se em alto mar, a 35 milhas de Itália e a 27 milhas de Malta, segundo a SOS Mediterranée.

Num comunicado conjunto emitido no domingo, os ministros do Interior, Matteo Salvini, e das Infraestruturas e Transportes, Danilo Toninelli, afirmaram ter pedido oficialmente às autoridades maltesas "que, pela primeira vez desde há muito tempo, Malta assuma as suas responsabilidades".

Mas, segundo o Ministério do Interior maltês, a responsabilidade cabe a Itália porque as operações de salvamento dos migrantes ocorreram numa zona marítima coordenada por Roma.

Matteo Salvini, que é também o líder do partido nacionalista e xenófobo Liga, repetiu hoje de manhã, numa nova mensagem no Twitter, que não faz tenções de ceder: "Salvar vidas é um dever, transformar Itália num enorme campo de refugiados, não. Itália deixou de ceder e obedecer, desta vez HÁ ALGUÉM QUE DIZ NÃO", escreveu.

O ministro italiano reagia à chegada hoje de manhã, ao largo da Líbia, de um outro navio fretado por uma ONG alemã, o Sea Watch. "Associação alemã, navio holandês, Malta que não se mexe, França que rejeita e a Europa que não se importa. Basta", acrescentou.

ONU pede a Itália e Malta desembarque imediato dos migrantes no Aquarius

O Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) pediu hoje a Itália e a Malta para autorizarem imediatamente o desembarque dos 629 migrantes a bordo do Aquarius e considerou a situação um "imperativo humanitário urgente".

Num comunicado, o ACNUR "lança um apelo aos governos implicados para que autorizem o desembarque imediato das centenas de pessoas bloqueadas no Mediterrâneo desde sábado num navio de resgate, o Aquarius"."Há aqui um imperativo humanitário urgente", afirmou Vincent Cochetel, enviado especial do ACNUR para o Mediterrâneo Central, acrescentando que "as pessoas estão angustiadas, a ficar sem provisões e precisam de ajuda urgente".

"Questões mais amplas, como quem tem responsabilidade e como essas responsabilidades devem ser partilhadas entre Estados, devem ser analisadas mais tarde", frisou.

Bruxelas pede a Itália e Malta uma solução rápida para Aquarius

A Comissão Europeia apelou hoje às autoridades italianas e maltesas para que resolvam assim que possível a situação dos 629 migrantes a bordo de um navio e que Itália recusa deixar desembarcar no país, encaminhando-os para Malta.

"Estamos em contacto com autoridades italianas e maltesas e a prioridade deve ser que estas pessoas desembarquem em segurança e o mais depressa possível", disse o porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, na conferência de imprensa diária. "Estamos a falar de pessoas, mais de 600 pessoas, incluindo menores não acompanhados", sublinhou Schinas, acrescentando que, neste caso, "há um imperativo humanitário".

Lusa

  • Marcelo de volta a casa após diagnóstico de gastroenterite aguda
    3:37
  • A corrida pelo melhor lugar no Rock in Rio
    2:00