Crise no Sporting

Álvaro Sobrinho pede demissão de Bruno de Carvalho

O empresário Álvaro Sobrinho, da Holdimo, detentora de cerca de 30% da SAD do Sporting, pediu hoje a demissão do presidente do Sporting. A empresa repudiou terça-feira os atos de violência ocorridos hoje na Academia do clube, em Alcochete, manifestando solidariedade com futebolistas e equipa técnica.

"A direção da Sporting SAD não merece a confiança do segundo maior acionista e deve apresentar a demissão", disse Álvaro Sobrinho, em declarações ao Jornal Económico.

O empresário angolano acrescentou que "as empresas têm de ser geridas profissionalmente e não por emoção" e acusou Bruno de Carvalho de causar "imensos problemas e danos reputacionais" à SAD que gere o futebol profissional do Sporting.

As ações do Sporting caíram hoje mais de 17%, para 63 cêntimos, depois dos acontecimentos dos últimos dias: as agressões a jogadores e equipa técnica em plena Academia Sporting, em Alcochete, e a investigação sobre viciação de resultados que levou à detenção de André Geraldes, diretor para o futebol do clube.

"Era estúpido um acionista gostar desta situação", disse Sobrinho ao Jornal Económico, acrescentando que a Holdimo está "imensamente preocupada" e "vai fazer absolutamente tudo para preservar os seus principais ativos, que são os jogadores".

Sobrinho garantiu que a Holdimo "tudo fará para manter a estabilidade da SAD", onde "há um problema na gestão da sociedade, nos órgãos da direção, no presidente e nos seus membros executivos".

A polémica que envolve o Sporting agravou-se nos últimos dias, depois da derrota da equipa de futebol no domingo, no último jogo da I Liga de futebol, frente ao Marítimo, que fez o clube de Alvalade perder o segundo lugar para o Benfica.

Na terça-feira, antes do primeiro treino para a final da Taça de Portugal, que vai disputar com o Desportivo das Aves, a equipa de futebol foi atacada na Academia Sporting, em Alcochete, por um grupo de cerca de 50 alegados adeptos encapuzados, que agrediram técnicos e jogadores.

A GNR deteve 23 dos atacantes e as reações de condenação do ataque foram generalizadas e abrangeram o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa.

Face às críticas, Bruno de Carvalho negou hoje, em comunicado enviado à Lusa, qualquer responsabilidade pelo ataque na academia, rejeitou demitir-se da presidência do Sporting e anunciou que vai processar Ferro Rodrigues, bem como comentadores e jornalistas por o terem “difamado e caluniado” após os atos de violência em Alcochete.

Entretanto, a Mesa da Assembleia-Geral demitiu-se em bloco, vários membros do Conselho Fiscal e Disciplinar renunciaram aos cargos e parte do Conselho Diretivo também renunciou.

Paralelamente, a Polícia Judiciária deteve quatro pessoas ligadas ao Sporting na quarta-feira, incluindo o diretor desportivo do futebol, André Geraldes, na sequência de denúncias de alegada corrupção em jogos de andebol e de futebol.

Com Lusa