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Desviados fundos destinados ao combate do Ébola na Serra Leoa

Metade dos 16,6 milhões de euros de fundos destinados à luta contra o Ébola na Serra Leoa não tem justificativo de aplicação e quase um terço do valor é oficialmente considerado "desaparecido", revela uma auditoria hoje divulgada. 

Christine Nesbitt

De acordo com uma análise feita às contas públicas de entidades responsáveis pelo combate ao Ébola na Serra Leoa entre maio e outubro de 2014, alguns valores foram canalizados para "funcionários fantasmas", enquanto outros foram pagos a instituições que nunca conseguiram demonstrar como os fundos foram utilizados. 

"As conclusões do relatório alegam que o dinheiro que de outra forma devia prestar socorro e resgatar vidas não foi utilizado, na sua maior parte, para o fim a que se destinava", disse o coordenador da organização independente de defesa da transparência pública da Serra Leoa, Ibrahim Tommy, citado hoje pela agência de notícias IRIN, das Nações Unidas.

De acordo com os auditores, cerca de 2,4 milhões de euros foram retirados de contas do Centro de Resposta ao Ébola sem recibos e pelo menos 3,6 milhões de euros, que supostamente foram usados na compra de ambulâncias e na construção de um Centro de Tratamento de Ébola em Port Loko, desapareceram. 

"Estamos conscientes de que a gestão dos recursos públicos é um enorme desafio na Serra Leoa", disse a diretora-executiva da organização não-governamental Transparência Internacional na Serra Leoa, Lavina Banduah, lembrando que um caso similar de desvio de fundos ocorreu, em 2012, após a eclosão de um surto de cólera naquele país africano.

Segundo o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde, divulgado a 22 de março, a Serra Leoa registou mais de 3.700 mortes em 11.800 casos de Ébola.

Depois de eclodir em 2013 na Guiné-Conacri, a atual epidemia de Ébola propagou-se em seguida às vizinhas Libéria e Serra Leoa, fazendo no total mais de 10.300 mortes em cerca de 25.000 casos registados,

Os três Estados da África Ocidental, que contabilizaram mais de 99 por cento das mortes ocorridas, definiram como objetivo atingir zero casos em meados de abril.

A doença, que provoca febre hemorrágica, transmite-se por contacto direto com o sangue, secreções ou fluidos corporais de pessoas infetadas e ainda não existe tratamento nem vacina aprovada.

Lusa

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