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UNESCO diz que "jihadistas" estão a destruir Palmira porque têm medo da História

A UNESCO condenou hoje a destruição do Arco do Triunfo de Palmira, afirmando que os ataques contra aquela antiga cidade síria demonstram que os extremistas do Estado Islâmico são "a pura expressão do ódio e da ignorância".

EPA/ Arquivo

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YOUSSEF BADAWI / EPA

"Esta nova destruição revela até que ponto os extremistas estão aterrorizados pela História e pela Cultura, uma vez que o conhecimento do passado semeia credibilidade e deslegitima todos os pretextos utilizados para justificar estes crimes", afirmou a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, num comunicado.

Segundo a representante da UNESCO, as ruínas milenares de Palmira encarnam tudo aquilo que horroriza os elementos do grupo radical sunita, ou seja, "a diversidade cultural, o diálogo entre culturas e o reencontro dos povos de todas as origens nesta cidade" que marcou as antigas rotas comerciais entre a Europa e a Ásia.

"Não haverá impunidade para os criminosos de guerra e a UNESCO irá fazer tudo ao seu alcance para que os autores desta destruição sejam julgados e punidos, em estreita cooperação com o Tribunal Penal Internacional", acrescentou a organização.

O responsável máximo das antiguidades na Síria afirmou hoje de madrugada que os 'jihadistas' tinham utilizado explosivos para destruir o Arco do Triunfo de Palmira, uma construção com cerca de 2.000 anos que era uma das estruturas mais importantes daquela cidade milenar.

O grupo extremista assumiu o controlo de Palmira, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade em 1980, em maio último.

Desde então, os receios de uma total destruição deste local emblemático têm vindo a aumentar, uma vez que os combatentes extremistas já destruíram diversos tesouros históricos, como foi o caso dos templos de Bel e de Baal Shamin.

Situada a cerca de 210 quilómetros a nordeste da capital síria, Damasco, a "pérola do deserto", como é apelidada esta cidade com mais de 2.000 anos, tem uma grande importância estratégica para o grupo radical.

Em agosto passado, o Estado Islâmico (EI) divulgou que tinha decapitado um dos maiores especialistas dos tesouros arqueológicos de Palmira, Khaled al-Assad.

O especialista de 82 anos era o antigo responsável pelas antiguidades e pelos museus de Palmira e ajudou a preservar os tesouros arqueológicos da cidade durante meio século.

Os 'jihadistas' do EI, combatentes que iniciaram em junho de 2014 uma grande ofensiva e que se assumem como participantes numa 'guerra santa', proclamaram um "califado" nos vastos territórios que controlam na Síria e no Iraque.

Lusa

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