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Daesh volta a apelar a um "califado nos Balcãs"

O Daesh dirigiu hoje novas ameaças contra os "infiéis" nos Balcãs, através de um vídeo detetado por medias sérvios e bósnios, onde assegura que esta região é uma nova frente contra a Europa cristã.

Cartazes de propaganda do Daesh (Reuters/Arquivo)

Cartazes de propaganda do Daesh (Reuters/Arquivo)

© Nour Fourat / Reuters

"Envenenar os infiéis, matá-los, armadilhar os seus automóveis, casas", são algumas das mensagens do vídeo de propaganda do EI intitulado "A honra está na jihad".

No vídeo surgem ainda vários combatentes balcânicos provenientes da Bósnia-Herzegovina, Kosovo e Albânia, e apelos ao "derrube do Governo traidor da Bósnia-Herzegovina, à criação de um califado nos Balcãs e conquistar a Europa cristã".

Os autores do vídeo também sugerem "o regresso a bem ou pela força ao caminho correto de Alá aos muçulmanos que se extraviaram da sua fé".

Numa referência aos Balcãs, dizem ser uma região que durante séculos foi palco de combate e que agora se converteu numa nova frente e num "escudo" contra as cruzadas da Europa.

A Bósnia e o Kosovo são dois dos países europeus que possuem mais militantes nas fileiras dos grupos 'jihaadistas', incluindo o Daesh.

A maioria da população da Bósnia (bosníacos), do Kosovo e da Albânia professa a fé muçulmana, uma herança de séculos de domínio otomano, mas poucos seguem as correntes ultraconservadoras impulsionadas por países como a Arábia Saudita, que nos últimos anos reforçou a sua presença na região.

Desde 1995, quando terminou a guerra civil intercomunitária, já foram registados mais de dez atentados terroristas na Bósnia-Herzegovina, cometidos por fações extremistas islâmicas locais.

No início de dezembro, líderes políticos, dirigentes religiosos e diversos intelectuais muçulmanos da Bósnia emitiram um apelo conjunto contra o extremismo islâmico no país, admitindo que desvalorizaram a extensão desta ameaça.

No país balcânico com 3,8 milhões de habitantes (40% muçulmanos), este apelo inédito surgiu três semanas após os mortíferos ataques em Paris de 13 de novembro e a morte de dois soldados bósnios em Sarajevo cinco dias mais tarde, numa suspeita ação islamita.

Lusa

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