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Ataques do Daesh causam perda de mais de um terço nas receitas do turismo na Tunísia

A Tunísia perdeu mais de um terço das suas receitas de turismo em 2015 na sequência dos ataques do grupo extremista Estado Islâmico que visaram diretamente este setor, fundamental para o país, revelam dados oficiais hoje divulgados.

© Anis Mili / Reuters

Dois dos ataques da organização extremista, também conhecida por Daesch, mataram 59 turistas estrangeiros, prejudicando uma indústria que representa 7% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

"A economia nacional assistiu, em 2015, a um declínio na atividade ... nomeadamente nos setores industrial e dos serviços, que foram afetados pelos ataques terroristas, apesar do sucesso da transição política", afirmou o banco central da Tunísia, numa referência ao facto de a Tunísia ser um caso raro de sucesso na transição política entre os países que viveram a Primavera Árabe.

A revolução que, em 2011, derrubou o ditador Zine El Abidine Ben Ali também constituiu um golpe para o setor do turismo, sendo que, desde então, as autoridades não conseguiram restabelecer a economia ou resolver os problemas de exclusão social.

Em 2015, a entrada de turistas no país registou uma queda de 30,8% face ao ano anterior e as receitas no setor tiveram uma quebra de 35,1%, de acordo com o banco central tunisino, tendo o número de turistas oriundos da Europa caído 53,6%, segundo dados do Ministério do Turismo.

Em março, 21 turistas e um agente da polícia foram mortos num ataque no Museu Nacional do Bardo, em Túnis, enquanto em junho um ataque a um 'resort' perto de Sousse matou 38 turistas.

Os dois atentados foram cometidos pelo grupo Estado Islâmico, que reivindicou ainda um ataque suicida na capital, em novembro, que matou 12 guardas presidenciais.

Também no ano anterior, vários hotéis tunisinos estiveram temporariamente encerrados devido à falta de turistas e, esta terça-feira, o operador turístico Thomas Cook cancelou todas as reservas britânicas para a Tunísia até novembro, na sequência da onda de protestos que tem assolado o país.

Lusa

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