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Daesh em recuo mas ainda com grande capacidade operacional

Os jihadistas do Daesh estão em recuo na Síria e no Iraque, mas ainda mantêm importante capacidade operacional e controlo sobre grandes áreas nos dois países, segundo um estudo do institituto especializado IHS Jane's.

Depois do Daesh: cartaz de propaganda Daesh numa rua de Palmira, março, 2016

Depois do Daesh: cartaz de propaganda Daesh numa rua de Palmira, março, 2016

© Sana Sana / Reuters

Pressionado pela coligação internacional dirigida pelos EUA, pela aviação russa, pelo exército sírio, e pelas milícias curdas e diversos grupos rebeldes rivais, o auto-denominado Estado Islâmico (EI) terá perdido entre o início de janeiro de 2015 e meados de março deste ano 22% do território que controlava na Síria e no Iraque.

Informações fornecidas por diversos media e fontes presentes na Síria e no Iraque, asseguram, no entanto, que o grupo extremista ainda detém um total de 73.000 quilómetros quadrados de território.

No início de março, o Presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que a "destruição" do EI permanece a sua "prioridade número um", enquanto o secretário de Estado John Kerry acusava o grupo 'jihadista' de genocídio e prometia iniciativas judiciais nesse sentido, após o Congresso norte-americano ter considerado que o Daesh pretende "exterminar" as minorias religiosas.

As diversas forças militares na Síria (regime, curdos e rebeldes), estão ainda empenhadas em conquistar o máximo de território ao grupo jihadista para garantir uma "posição de força", caso seja instaurado no país um sistema federal, um dos temas das negociações de paz.

Na província de Alepo (norte), as fações rebeldes e islamitas, apoiadas pela Turquia e a aviação norte-americana, conquistaram diversas localidades, enquanto no sul a Frente Al-Nosra, ramo sírio da Al-Qaeda, aliada a grupos salafistas, tomou três localidades. No nordeste, a aliança curdo-árabe das Forças democráticas sírias (FDS) progredia na rica província petrolífera de Deir Ezzor, também cobiçada pelas forças do regime.

Entre o seu surgimento no campo de batalha sírio, em abril de 2013, e a viragem do verão de 2014, os jihadistas avançaram quase sem oposição por parte do exército de Damasco e proclamaram o seu "califado".

O recuo do grupo ultrarradical regista-se apenas a partir de meados de 2014, com os jihadistas a perderem no Iraque largos setores em torno de Ramadi, a oeste de Bagdad, e na região de Tikrit, a norte da capital.

No entanto, as principais derrotas ocorreram na Síria, com as forças leais ao Presidente Bashar Al-Assad a também progredirem no oeste do país, reconquistando no final de março a cidade de Palmira e prosseguido a sua ofensiva com o apoio da aviação russa.

Apesar de ter anunciado em 14 de março a retirada da maior parte do seu contingente militar, que desde 30 de setembro de 2015 promovia uma campanha de ataques aéreos em apoio às forças de Damasco, a Rússia prosseguiu a campanha militar contra "objetivos terroristas" na Síria.

Em paralelo, desde o final de 2015 que as dificuldades financeiras do grupo jihadista foram agravadas pelos ataques sistemáticos de russos e da coligação liderada pelos Estados Unidos às suas fontes de rendimento, especialmente a venda de petróleo.

A trégua com os rebeldes, em vigor desde o final de fevereiro, também permitiu ao regime sírio reunir para esta simbólica operação militar um número muito elevado de forças aliadas: o exército regular, o Hezbollah libanês, os Guardas da revolução iranianos e diversas milícias, como os Falcões do deserto, uma das mais eficazes formações paramilitares sírias.

Até finais de março foram as milícias curdas que se distinguiram no combate aos jihadistas do EI, desalojando-os de Kobane e de Tell Abyad em janeiro de junho de 2015, com apoio aéreo norte-americano, ou as forças rebeldes anti-Assad, que os expulsaram de Alepo e da província de Idlib (noroeste) em janeiro de 2014.

Caso se mantenham as tréguas com os rebeldes, as tropas de Al-Assad poderão movimentar-se em direção a Raqqa, mais a norte, para onde também se dirigem as FDS, dando início à reconquista da "capital" jihadista da Síria.

Ainda no final de março, o EI sofria outro importante revés, após o Pentágono anunciar a morte do seu "número dois" na Síria, Abdelrahmane Al-Qadouli, durante um ataque norte-americano. Numa conferência de imprensa em 25 de março, o secretário da Defesa, Ashton Carter, definiu-a como "um duro golpe nas capacidades do EI em conduzir operações no Iraque, na Síria e no estrangeiro".

O recuo do EI tem contudo implicado o reforço da Frente al-Nosra em várias regiões, com um regresso da violência na primeira semana de abril, após mais de um mês tréguas decretadas em 27 de fevereiro por Estados Unidos e Rússia.

A intensificação das hostilidades, que nunca cessaram apesar de uma redução assinalável e mesmo inesperada, surgiram como um sinal negativo nas vésperas do reinício das negociações de Genebra, programadas para quarta-feira, o dia das eleições legislativas convocadas pelo governo de Damasco.

Mas se o EI está na defensiva, os atentados de Bruxelas demonstraram que as suas redes no exterior permanecem com capacidade para operações de grande amplitude.

Para diversos especialistas, quando mais território o EI perder na Síria, cada vez menos o seu 'califado' se tornará uma realidade mas antes um "conceito destinado à exportação", enquanto outros observadores se interrogam sobre o que "virá a seguir" após a anunciada derrota no terreno do grupo radical islâmico, e o seu regresso à clandestinidade.

Com Lusa

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