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Sánchez abandona sonho de "governo de perdedores" como em Portugal, diz Rajoy

O presidente do Governo espanhol em funções acusou hoje o candidato socialista a presidente, Pedro Sánchez, de ter abandonado "o sonho" de formar um "governo de perdedores" como em Portugal apenas para garantir a sua sobrevivência política.

Mariano Rajoy falava no segundo dia da sessão de investidura do candidato a presidente do Governo espanhol Pedro Sánchez

Mariano Rajoy falava no segundo dia da sessão de investidura do candidato a presidente do Governo espanhol Pedro Sánchez

© Andrea Comas / Reuters

Mariano Rajoy - que falava no segundo dia da sessão de investidura do candidato a presidente do Governo espanhol Pedro Sánchez - recordou no Congresso dos Deputados que o seu partido, o PP, ganhou as eleições de 20 de dezembro, mas que o líder do PSOE decidiu "bloquear" qualquer possibilidade de entendimento entre os dois partidos.

"Recusou a conversa e não com bons modos, recusou um acordo que era razoável, mas que cortava as suas aspirações políticas. (...) E então descobriu Portugal e nele a fórmula milagrosa: 'se outros perdedores conseguiram, porque não eu?'", questionou Rajoy, num discurso carregado de ironias e de referências ao resultado das eleições portuguesas.

Em Portugal, a coligação PSD/CDS ganhou as eleições, mas sem maioria absoluta, o que abriu caminho a acordos parlamentares pós-eleitorais entre o PS de António Costa, o Bloco de Esquerda e o PCP.

"A 7 de janeiro, senhor Sánchez, viajou a Lisboa para ver como se torce um resultado das eleições, impedindo a direita de governar com uma grande coligação de forças progressistas. E pensou numa nova era triunfal que viria pela sua mão", salientou Rajoy.

O presidente do PP recordou que "assim foram as coisas", até que as exigências do Podemos e das forças da esquerda para formar Governo levaram Pedro Sánchez "a decidir abandonar o sonho português e mudar de rumo".

"Para assegurar a sua sobrevivência política, senhor Sánchez", argumentou Rajoy.

O líder "popular" reafirmou que hoje votará contra na votação de investidura de Pedro Sánchez para presidente do Governo espanhol. Na votação de hoje, a primeira da investidura, o líder socialista precisa de maioria absoluta (pelo menos 176 deputados), apoio que não tem neste momento.

Rajoy justificou o seu "Não" na votação de hoje à noite com "uma razão óbvia".

"Não é a unica, nem a mais importante, mas é porque se trata de uma candidatura fictícia e irreal", disse, entre aplausos da sua bancada.

O líder "popular" disse que Sánchez se apresentou na sessão de terça-feira com um discurso "para fazer crer que se Espanha não tem hoje um presidente a culpa é de todos os outros, os maus".

"A verdade é que o senhor, em vez de tentar conseguir uma maioria evidente, preferiu garantir os seus planos particulares. Veio aqui apresentar uma candidatura para formar Governo quando não moveu um dedo para tentar formá-lo", afirmou Rajoy, numa referência à recusa de Sánchez e do PSOE a negociar com o PP.

O PP, que ganhou as eleições espanholas com 123 deputados (mas sem maioria absoluta), procurou fazer uma "grande coligação" com PSOE e Ciudadanos. O PSOE elegeu 90 deputados, enquanto o Ciudadanos registou 40 assentos e o Podemos 69 (juntamente com as suas formações regionais).

"O máximo que conseguiu foi oferecer ao seu partido o pior resultado da sua história. Mas os espanhóis, se calhar mal informados, decidiram decidiram dar a vitória ao PP. E vem agora aqui a querer rectificar os 'erros' dos espanhóis. Segundo o que diz, ganhou um tal de 'senhor Cambio', consigo à cabeça", disse, irónico, Rajoy.

O líder "popular" acusou assim Pedro Sánchez de "bloquear qualquer possibilidade de formar Governo".

"Disse 'não' quando o chamei a 23 de dezembro [passado] e repetiu-o: 'Não é não' e 'que parte da palavra não o senhor Rajoy não entende?'. Mas isso foi antes dos seus apelos de ontem ao diálogo, à unidade e à 'mão estendida'", sublinhou.

Por isso, concluiu Rajoy, Pedro Sánchez apresentou-se na votação de investidura "sem Governo e sem apoio".

"Esta sessão é um embuste e uma fraude", porque o candidato socialista "estava a pensar em algo que lhe importa muito mais, a sua própria sobrevivência", disse o ainda presidente do executivo em funções.

Lusa

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