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PSOE e Podemos retomam reuniões para negociar formação de governo

Os secretários-gerais do PSOE, Pedro Sánchez, e do Podemos, Pablo Iglesias, acertaram hoje, por telefone, uma reunião no dia 30 de março, para retomar o diálogo e as negociações com vista à formação de um governo em Espanha.

O socialista Pedro Sánchez falhou a eleição como presidente do governo no início do mês.

O socialista Pedro Sánchez falhou a eleição como presidente do governo no início do mês.

© Andrea Comas / Reuters

O socialista Pedro Sánchez falhou a eleição como presidente do Governo no início do mês, ao perder as duas votações na sessão de investidura no Congresso dos Deputados. O PSOE, que tem 90 deputados, apenas conseguiu o "sim" dos 40 deputados do Ciudadanos (centro-direita), somando 130 assentos (poucos mais do que os 123 do PP de Mariano Rajoy e abaixo dos 176 da maioria absoluta).

Inicialmente, o PSOE esteve envolvido numa mesa de negociação a quatro com os partidos de esquerda - Podemos (esquerda radical, 65 deputados), Izquierda Unida (comunistas, 2 deputados) e Compromís (4 deputados de uma das confluências do Podemos).

No entanto, os partidos de esquerda abandonaram as negociações quando os socialistas assinaram um acordo de investidura com o Ciudadanos.

Desde então, Pedro Sánchez e Pablo Iglesias têm trocado acusações e duras críticas, acusando-se mutuamente de estarem a bloquear a formação de um governo "de mudança".

Sánchez considera que o Podemos deve juntar-se ao PSOE e ao Ciudadanos, enquanto Iglesias diz que o PSOE tem de escolher entre um governo de esquerda e um outro apoiado pela direita.

Hoje, numa conversa telefónica de 30 minutos, os dois líderes partidários acertaram "a plena vontade" de retomar negociações e uma nova etapa no diálogo. Ambos concordaram que é "urgente" formar um governo que ponha fim à permanência de Mariano Rajoy (PP) na Moncloa, residência oficial do chefe do Governo.

Resta saber se o PSOE se vai apresentar, como queria inicialmente, juntamente com o Ciudadanos (com quem já tem um acordo) ou se o Podemos aceita que isso aconteça.

Entre as várias opções políticas que dividem o Podemos do Ciudadanos está o tema da unidade de Espanha: o Ciudadanos de Albert Rivera não aceita qualquer referendo ou consulta para a independência da Catalunha, enquanto Pablo Iglesias fez bandeira de campanha com a possibilidade de a Catalunha "decidir sobre a sua autodeterminação".

A conversa de hoje aconteceu depois de na semana passada o PSOE e o Podemos terem acertado uma reunião em pessoa, que acabou por não acontecer "devido à impossibilidade de acertar as agendas" dos dois líderes.

Espanha está com um governo em funções desde 20 de dezembro, na sequência das eleições gerais. Os 350 deputados no parlamento têm até 02 de maio para eleger um novo presidente do Governo, caso contrário realizam-se novas eleições gerais.

O Podemos ofereceu ao PSOE um acordo para a formação de um governo de coligação (juntamente com a Izquierda Unida), no qual Pedro Sánchez seria presidente e Pablo Iglesias vice-presidente. No entanto, também exigiu ocupar cinco ministérios - Negócios Estrangeiros, Administração Interna, Justiça, Economia e Defesa - considerando que apenas teve menos 300 mil votos do que os socialistas e que "não confia no PSOE".

Lusa

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