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Eleições em Espanha

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Formação de um Governo é "mais um desejo do que uma realidade"

O chefe do executivo espanhol em funções e líder do Partido Popular (PP, de direita), Mariano Rajoy, afirmou este sábado que a formação de um novo governo em Espanha é atualmente "mais um desejo do que uma realidade".

Rajoy falava na sessão de abertura de um curso político na região galega de Pontevedra, a poucos dias do debate de investidura no Congresso de Deputados (câmara baixa do Parlamento espanhol), agendado para a próxima terça-feira (dia 30 de agosto).

O líder popular anunciou a 18 de agosto que iria tentar obter a confiança dos deputados para ser reconduzido na liderança do governo espanhol, mas esse objetivo poderá não ser alcançado devido ao bloqueio do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

"A formação de um governo em Espanha continua hoje a ser mais um desejo do que uma realidade", declarou Mariano Rajoy.

Após oito meses de recuos e de negociações falhadas, ninguém consegue garantir que o país vai conseguir sair do impasse político ou evitar a realização de um terceiro escrutínio em menos de um ano.

Espanha está num impasse político desde as eleições de 20 de dezembro de 2015, repetidas a 26 de junho deste ano, mas sem que um partido saísse, de novo, com a maioria dos votos.

O Partido Popular (PP) venceu a segunda votação, elegendo 137 deputados (num total de 350), o que não chega para poder formar governo sozinho. O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ficou em segundo lugar, com 85 deputados, a aliança de esquerda Unidos-Podemos em terceiro, com 71, e o Ciudadanos (centro-direita) em quarto, com 32.

O Ciudadanos apresentou condições para apoiar um governo liderado pelo PP, mas as negociações entre as duas forças partidárias ainda prosseguem.

Mesmo se obtiver o apoio do Ciudadanos e da Coalición Canaria, partido regional com o qual os conservadores também mantém contactos, o PP conseguirá apenas 170 votos, precisando ainda de pelo menos 11 abstenções para formar governo.

Na mesma intervenção, Rajoy afirmou hoje que "seria ridículo" realizar umas terceiras eleições gerais em Espanha, mas com o "comportamento de alguns" tem "dúvidas razoáveis" de que isso poderá acontecer novamente.

Numa alusão explícita ao secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, o líder do PP referiu que a democracia significa muitas coisas, mas que existe uma que é a sua essência.

"Deve governar quem é escolhido pelas pessoas para governar", frisou.

Como tal, Mariano Rajoy apelou aos socialistas para agirem com responsabilidade.

Ainda no discurso em Cotobade, na região de Pontevedra, o presidente do PP referiu que o país tem recebido muitos avisos "dentro e fora de Espanha" para que seja formado um governo, porque a atual situação "não pode ser prolongada no tempo".

Para Rajoy, será "muito negativo para Espanha" a realização de novas eleições e a continuação de um executivo interino.

"Nunca desde o final da Segunda Guerra Mundial foram repetidas as eleições em qualquer país da Europa porque não foi possível chegar a um entendimento e a um acordo político entre as forças políticas. Nunca", sublinhou o chefe do executivo espanhol em funções.

Lusa

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