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Eleições EUA 2016

Czar Trump invade convenção de Hillary

Luís Costa Ribas

Luís Costa Ribas

Correspondente SIC

“Rússia, se estás a ouvir espero que sejas capaz de encontrar os 33 mil e-mails (de Hillary Clinton) desaparecidos. Provavelmente já os têm e gostaria que fossem divulgados”.

Um dia depois de Hillary Clinton ter sido nomeada oficialmente candidata presidencial, unificando o Partido Democrático, o egocêntrico Donald Trump, tentou açambarcar as luzes da ribalta. Convocou uma conferência de Imprensa onde insultou a adversária e, por entre as habituais falsidades, exortou a Rússia a praticar espionagem electrónica nos Estados Unidos. “Rússia, se estás a ouvir espero que sejas capaz de encontrar os 33 mil e-mails (de Hillary Clinton) desaparecidos. Provavelmente já os têm e gostaria que fossem divulgados”. Trump referia-se ao uso, controverso, por Hillary Clinton de um servidor privado para os emails oficiais, quando era Secretária de Estado - o equivalente americano a Ministra dos Negócios Estrangeiros. O candidato republicano à presidência foi imediatamente criticado, dentro fora do seu partido, por exortar ao hacking de uma ex-alta funcionária do Governo, que alguns comparam a uma exortação à espionagem.

Mas as declarações de Trump assumiram, imediatamente, outra dimensão no contexto da fuga de informação do fim-de-semana passado. O Wikileaks divulgou 19.000 e-mails do Partido Democrático, obtidos ilegalmente por hackers russos, com comentários embaraçosos que levaram à demissão da presidente do partido, suscitaram uma nova crise entre os apoiantes de Hillary Clinton e do candidato derrotado nas primarias democratas, Bernie Sanders e perturbaram o primeiro dia da convenção democrata.

Trump, foi o obvio beneficiário e os democratas acusaram a Rússia, cujos hackers os EUA acusam de ceder os e-mails ao Wikileaks, de pretenderem interferir na campanha e favorecer Trump. Porquê? Porque Trump as posições de Trump em política externa são do agrado de Moscovo, seja a negação do artº 5º do Tratado da NATO, estipulando que um ataque contra qualquer país membro da Aliança é um ataque contra todos, ou a sua oposição a ajuda militar à Ucrânia, e cedência aos interesses russos na Síria. Junte-se a isto a confessa admiração mútua e pública entre Trump e Vladimir Putin e as conclusões só podem ser preocupantes.

E porque razão é Trump tão “pró-Putin”, de tal modo que já existe um hashtag no Twitter chamado #DonaldPutin? Dizem is adversários de Trump que são interesses e negócios de Trump na Rússia. Este diz que nunca falou com Putin - mas já teve audiência marcada (que Putin cancelou à ultima hora) e um acordo assinado 2013 com um empresário próximo de Putin, para a construção de uma "Trump Tower” em Moscovo. Uma investigação do jornal Washington Post, mostra que Trump procura há décadas investir no mercado russo e, apesar dos desaires, não desiste, fazendo amizades com empresários ligados a Putin e uma colunista republicana lembra que, quando os bancos americanos se recusaram a financiar os projectos de Trump, após quatro falências que deixaram dívidas de milhares de milhões de dólares, foram bancos russos que financiaram o magnata nova-iorquino que quer ser presidente.

Há fumo suficiente para se perguntar onde está o fogo. Trump nunca escondeu que usa ligações políticas para cumprir interesses empresariais e nada do que faz e diz desmente, ou alivia, receios de insuportáveis conflitos de interesses, por parte de um homem que nunca escondeu o seu amor primeiro: dinheiro, custe o que custar, custe a quem custar.

Por esta controvérsia - aquilo a que em alguns desportos se chama "unforced error” - Trump tem apenas a si próprio pra culpar e é, por ela, o único responsável. Na ganância mediática de querer roubar algum brilho ao dia histórico de Hillary Clinton, saiu-lhe o tiro pela culatra. Ou, como diz o ditado, pela boca morre o peixe.

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