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Ex-diretor da CIA afirma que Trump parece um agente secreto russo

Reuters

​Um ex-diretor dos serviços secretos norte-americanos (CIA) acusou o candidato presidencial republicano Donald Trump de parecer "um agente da Federação Russa" e de representar um perigo para a segurança nacional.

Num artigo de opinião hoje publicado no jornal The New York Times, o antigo vice-diretor da Central Intelligence Agency (CIA), Michael J. Morell, explicou as razões pelas quais vai votar na candidata democrata Hillary Clinton nas eleições presidenciais de 08 de novembro e teceu duras críticas a Trump.

O candidato republicano "não é só inapto para o cargo, mas poderá mesmo representar um risco para a segurança nacional", escreveu Morell.

"No mundo dos serviços de informações, diríamos que Putin tinha recrutado Trump como um agente da Federação Russa sem que ele tenha noção disso", prosseguiu Michael J. Morell, que esteve ligado à CIA durante 33 anos.

O ex-vice-diretor dos serviços secretos norte-americanos recordou que Vladimir Putin é um antigo agente secreto que sabe identificar as fraquezas dos alvos e a melhor forma de explorar essas falhas.

Durante as eleições primárias, "Putin explorou os pontos fracos de Trump (...). E este último reagiu como Putin tinha previsto", sublinhou Morell, lembrando que o multibilionário descreveu o Presidente russo como um grande líder, incentivou os serviços secretos russos a espiarem a candidata democrata e questionou os compromissos norte-americanos no âmbito da NATO face a uma eventual agressão russa na região do Báltico.

Donald Trump reconheceu que estava enganado quando afirmou ter visto imagens dos serviços secretos iranianos sobre a entrega de um resgate de 400 milhões de dólares ao Irão para pagar a libertação de cinco prisioneiros norte-americanos.

Segundo informações publicadas este mês pelo diário The Wall Street Journal, os Estados Unidos teriam alugado um avião em janeiro para entregar 400 milhões de dólares (cerca de 359 milhões de euros) em dinheiro ao regime de Teerão em troca da libertação de cidadãos norte-americanos que estavam detidos naquele país.

Washington esclareceu entretanto que tal valor foi pago em janeiro para resolver uma velha disputa comercial entre os dois países, à margem do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

Trump usou o episódio para atacar e responsabilizar a adversária democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

"O avião que vi na televisão foi o avião que transportou os reféns para Genebra, na Suíça, não era o avião que transportava os 400 milhões de dólares em dinheiro para o Irão", justificou hoje Donald Trump no Twitter.

Os últimos dias não têm sido fáceis para Trump. Depois da polémica que envolveu os pais de um militar morto em combate no Iraque em 2004 e a mãe de um bebé que chorava durante uma intervenção numa ação de campanha, o candidato tem vindo a perder o apoio de destacados nomes do aparelho republicano e de importantes doadores da força política.

Foi o caso da líder da multinacional norte-americana Hewlett Packard Enterprise e ex-candidata republicana na Califórnia, Meg Whitman, que classificou Trump como "um demagogo desonesto" sem condições para ser Presidente e que revelou que irá votar na democrata Hillary Clinton.

Entre os mais recentes afastamentos está o clube dos Republicanos da prestigiada universidade de Harvard.

"Pela primeira vez em 128 anos, a mais antiga associação republicana universitária do país não vai apoiar o candidato republicano" às eleições presidenciais, escreveu o clube num comunicado.

Face à crescente irritação republicana, chegou-se a falar nos Estados Unidos de uma possível desistência de Trump, mas o candidato reagiu e insistiu que a campanha estava "mais unida do que nunca".

Apesar do afastamento de alguns grandes doadores, o candidato republicano recolheu 82 milhões de dólares (cerca de 74 milhões de euros) em julho, aproximando-se dos 90 milhões de dólares (cerca de 81 milhões de euros) da democrata Hillary Clinton.

As últimas sondagens não são favoráveis a Trump e algumas chegam a dar 10 pontos percentuais de vantagem à ex-secretária de Estado.

Lusa

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