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Eleições França 2017

Candidatos presidenciais expressaram solidariedade com forças policiais

Candidatos presidenciais expressaram solidariedade com forças policiais

Os candidatos às eleições presidenciais francesas, cuja primeira volta se realiza no domingo, expressaram na quinta-feira à noite solidariedade com as forças policiais, após o tiroteio que matou um polícia e feriu outros dois, em Paris.

Os 11 candidatos participaram num programa de televisão, na mesma altura em que ocorreu o ataque, cerca das 21:00 em Paris.

O candidato conservador, François Fillon, e a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, anunciaram durante as entrevistas televisivas que iriam cancelar as ações previstas para o último dia de campanha antes da primeira volta das eleições presidenciais, no próximo domingo.

"A luta contra o terrorismo deve ser a prioridade absoluta do próximo Presidente da República", sublinhou Fillon, na sua última intervenção no programa de entrevistas de 15 minutos a todos os candidatos presidenciais, emitido pela cadeia pública "France 2".

O candidato da direita aproveitou para recordar as suas propostas nesta área, em particular a de "uma mobilização mundial" mediante "uma coligação internacional contra o totalitarismo islâmico", que, defendeu, não deveria limitar-se à que é atualmente liderada pelos Estados Unidos, mas que deveria incluir também países como a Rússia e o Irão, para ser eficaz.

Fillon recordou também a sua proposta de impedir o regresso a França dos cidadãos que se tenham integrado em grupos extremistas de combate na Síria e no Iraque, a quem pretende aplicar uma disposição penal dos anos 1930 para lhes retirar a nacionalidade.

O líder conservador considerou que no contexto gerado pelo atentado "não tem sentido continuar com a campanha eleitoral", depois de ter mostrado "solidariedade" com a polícia.

Marine Le Pen disse que o ataque de quinta-feira à noite nos Campos Elísios mostra que "o pesadelo começou novamente" e descreveu ter sentido "uma raiva surda" porque, na sua opinião, "não está a ser feito tudo para proteger" os franceses das ameaças terroristas.

A presidente da Frente Nacional rejeitou a ideia de que as pessoas devem habituar-se ao "terrorismo islamista" e propôs "um plano de ataque" que passaria pelo "restabelecimento do controlo das fronteiras" de França e por "pôr fim ao laxismo e à ingenuidade".

Para Le Pen, as forças da ordem "esperam algo mais que compaixão, esperam meios" para enfrentar o risco de atentados. O candidato independente liberal Emmanuel Macron, favorito nas sondagens para vencer as eleições, alertou que estas ameaças "farão parte do quotidiano nos próximos anos".

Macron, que sublinhou que a missão principal do chefe de Estado é, precisamente, proteger a população, defendeu que não há que "ceder ao medo" nem "dar a impressão de que se cedeu".

O candidato da esquerda-radical, Jean-Luc Mélenchon, além de enviar "uma mensagem emocionada" aos familiares do agente assassinado, esforçou-se para garantir que "os criminosos não ficarão impunes" em França, e que os cúmplices também não serão esquecidos.

Mélenchon pediu à população para que não ceda ao pânico e que não se interrompa o "processo democrático" das eleições."Este acontecimento recorda-nos que estamos no centro de uma crise, caracterizada pelo ataque de forças que detestam a nossa democracia", disse o socialista Benoît Hamon, que defendeu a necessidade de se ser "implacável com essas forças".

A primeira volta das eleições presidenciais está marcada para domingo. Os dois candidatos mais votados avançam para a segunda ronda, prevista para dia 07 de maio.Quatro candidatos estão em posição de se qualificarem para a segunda volta: Marine Le Pen, Emmanuel Macron, François Fillon e Jean-Luc Mélenchon, da esquerda.Macron e Le Pen lideram as sondagens, seguidos por Mélenchon, que tem uma pequena vantagem sobre o candidato da direita.Um polícia foi morto e dois ficaram gravemente feridos na quinta-feira à noite, quando um homem disparou contra o veículo em que seguiam na avenida dos Campos Elísios, no centro de Paris.

O atacante foi morto por outros agentes da polícia francesa e um transeunte foi também atingido."O agressor chegou de carro, saiu. Abriu fogo contra o carro da polícia com uma arma automática, matou um dos polícias", disse fonte policial citada pela AFP.

Uma turista ficou "ligeiramente ferida por bala" durante a troca de tiros, acrescentou outra fonte policial.O Presidente francês, François Hollande, que convocou um Conselho de Segurança para a manhã de hoje, afirmou que o caso está a ser investigado pela secção antiterrorista da procuradoria de Paris e que as pistas que poderão conduzir a investigação "são de ordem terrorista".

O Daesh reivindicou já o ataque, através de um comunicado divulgado pelo órgão de propaganda do auto-proclamado Estado Islâmico, a Amaq. "O autor do ataque nos Campos Elísios, no centro de Paris, é Abu Yussef, "o Belga", e é um dos combatentes do Daesh", relatou a Amaq.

As autoridades francesas afirmaram que o autor do ataque estava identificado como extremista por ter manifestado a intenção de matar polícias, segundo fontes próximas do inquérito, citadas pela AFP.O ataque ocorre a três dias da primeira volta das eleições presidenciais em França, em que a segurança é um dos temas em destaque, após vários ataques terroristas no país nos últimos anos.

Com Lusa

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