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Eleições França 2017

Imprensa francesa destaca "dobradinha" de Macron (e abstenção)

Thibault Camus

O Presidente francês, Emmanuel Macron, fez a "dobradinha" na primeira volta das eleições legislativas, constata hoje a imprensa francesa. No entanto, a abstenção recorde impede que se fale em "Macron-mania".

"Macron caminha para uma maioria esmagadora" (Le Figaro), "Macron faz dobradinha" (L'Opinion), "A OPA" (Libération). Os títulos dos diários nacionais são claros ao destacar a cor da futura "câmara azul Macron" (L'Humanité).

"Quem acreditaria? Quem diria? Uma formação política que não existia há dois anos e passa rapidamente a ter uma insolente maioria na Assembleia Nacional, perturbando ao mesmo tempo uma paisagem política que há muito pensávamos ser imutável", comentou Paul-Henri du Limbert no jornal conservador Le Figaro.

Com 32,32% votos e projeções que atribuem 400 a 455 deputados (num total de 577) ao República em Marcha!, partido do Presidente, "Macron pode agarrar todos os poderes", frisa Laurent Joffrin no jornal de esquerda Libération.

É uma "vitória total da estratégia da renovação prometida" pelo chefe de Estado, aponta Laurent Bodin no jornal regional L'Alsace.

Mas os comentadores destacam que a elevada abstenção, um recorde histórico, impede que se fale de uma adesão total do eleitorado ao projeto de Macron.

"Nem os 24% da primeira volta das eleições presidenciais, nem os 50% da abstenção deste domingo devem dar a ilusão de uma França convertida à 'Macron-mania'", destaca Nicolas Beytout no L'Opinion.

Os resultados definitivos dão conta de uma abstenção de 51,29%, o que para o jornal L'Humanité significa que "a abstenção saiu vencedora" nas eleições.

"Para governar é melhor contar com uma adesão clara ao seu projeto e ter a oposição no parlamento, ao invés de na rua. De momento, não temos nem, uma nem outra", constata Michel Urvoy, no diário regional Ouest-France.

Com Lusa

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