sicnot

Perfil

Eleições França 2017

"Votar Da Silva é votar Macron"

Dominque da Silva candidato pelo movimento República em Marcha!

LUSA

Na 7.ª circunscrição do Val d´Oise, nos arredores de Paris, todos conhecem Emmanuel Macron, poucos conhecem Dominique da Silva, mas muitos consideram que "votar Da Silva é votar Macron".

Na reta final da campanha, o candidato do partido A República Em Marcha! às eleições legislativas, Dominique da Silva, multiplicou as ações junto do eleitorado desta circunscrição, como na cidade de Saint-Brice, onde tentou convencer comerciantes e clientes a votarem na "renovação da vida política" durante uma visita à zona comercial Les Vergers.

"Votei nele porque votar Da Silva é votar Macron. Agora vou fazer igual. Não conhecia o senhor Da Silva mas apoio-o porque é o candidato de Macron e estou farta da política francesa. Macron é a mudança, a juventude, uma lufada de ar fresco", contou à Lusa Karine Partouche, sentada numa esplanada de café, depois de ter conversado com o candidato lusodescendente.

O empresário de 49 anos, com raízes familiares em Barcelos e Póvoa do Varzim, quer entrar no Palais-Bourbon e sabe que se conquistar um assento parlamentar é graças ao nome de Macron e a alguma "macromania".

"Macromania é o sentimento de que esse homem, no espaço de um ano, fez uma coisa que ninguém pensava possível. É verdade que a nossa vitória está diretamente ligada a esse personagem político incrível", afirmou à Lusa o candidato que aderiu ao movimento Em Marcha! quando foi criado, em abril de 2016, e foi um dos responsáveis locais da campanha presidencial.

Mazri Bashir, de 74 anos, não ficou indiferente ao postal com o rosto do candidato que lhe foi estendido pelos membros da equipa de campanha e, depois de um sorriso e um "merci", disse à Lusa estar "farto dos políticos velhos e com promessas por cumprir" devendo votar em Dominique da Silva "porque é o candidato 'Em Marcha' que representa a renovação".

Alguns metros adiante, no mini-mercado Mikacher, Brigitte Sabbah recebeu o candidato com um entusiasta "Ah, então é você!", dizendo-lhe que não está "à espera de milagres" - ainda que tenha "fé em Macron" - e iniciando uma longa conversa sobre as dificuldades dos pequenos comerciantes.

"Vou votar Da Silva mesmo que não o conheça porque vou seguir o movimento Macron. Dá-me a impressão de que Macron vai fazer mexer as coisas porque responde a uma inquietude geral, tem uma energia e um dinamismo que dão esperança. Eu até sou mais de direita, mas já não há reais referências partidárias, vota-se por uma pessoa", afirmou à Lusa a comerciante de 58 anos.

Com 35,98% dos votos, contra 24,26%, Dominique da Silva bateu, na primeira volta das legislativas, o candidato de Os Republicanos, Jérôme Chartier, que foi deputado três vezes e antigo porta-voz da campanha do candidato da direita às presidenciais, François Fillon.

Dominque da Silva candidato pelo movimento República em Marcha!

Dominque da Silva candidato pelo movimento República em Marcha!

LUSA

Ainda que seja vereador, desde 2008, na cidade de Moisselles, Dominique da Silva explicou que não é "conhecido" na circunscrição e admitiu que as pessoas votam simplesmente "no candidato de Emmanuel Macron".

Mesmo assim, até sexta-feira vai andar a fazer campanha porta a porta e a distribuir postais com a sua mensagem aos comerciantes das diferentes cidades da circunscrição, enquanto aquela que foi batizada pelos membros da campanha como "Da Silvette" - uma carrinha forrada com a fotografia eleitoral do candidato - vai continuar a percorrer a região das 7:00 às 21:00.

Empresário no ramo de construção modular ecológica e autor do livro "Plan d'urgence pour l'abolition du chômage" ("Plano de urgência para a abolição do desemprego"), editado em 2014, Dominique da Silva disse, ainda, que se for eleito deputado vai deixar o seu trabalho para dedicar "todo o tempo" a "servir o país" e "para que o país saia desta crise".

Apesar de não ter experiência parlamentar - como a maioria dos 529 candidatos com a etiqueta "Em Marcha" ou do aliado centrista MoDem - o lusodescendente sublinhou que foi selecionado entre 19.000 pessoas que concorreram para serem candidatas pelo partido do presidente.

"Os franceses agora sabem que a experiência política não quer dizer sucesso. Agora, com o movimento En Marche! e Emmanuel Macron, os franceses dizem que há gente que tem uma experiência profissional, que têm os dois pés assentes na terra", argumentou, contrapondo que há políticos "com muita experiência que não conseguem fazer boas políticas públicas".

Retomando o título do livro de campanha de Emmanuel Macron, "Revolução", Dominique da Silva considerou que o agora chefe de Estado conseguiu fazer "uma revolução" nas presidenciais e nas legislativas, com as projeções a indicarem que a assembleia poderá contar 415 a 455 deputados "em marcha" num total de 577 assentos parlamentares.

"É um tsunami, uma vaga muito forte. Uma vontade de mudar o país e uma vontade de dar ao Emmanuel Macron uma maioria forte para que o país saia desse sentimento que as coisas não podem mudar", resumiu.

O candidato "em marcha" acrescentou que está confiante na sua vitória de domingo, o dia em que a sua vida "pode mudar e deve mudar" assim como "a França tem de mudar".

"Sou filho de emigrantes portugueses e, com a República em Marcha!, é um sentimento muito forte fazer parte dessa história da política francesa. Espero que seja uma política que vai mudar o país para que seja um país mais forte e um exemplo para os europeus e para o mundo", concluiu.

Lusa

  • Ministra emocionou-se no Parlamento
    2:26

    Tragédia em Pedrógão Grande

    A ministra da Administração Interna disse esta quarta-feira no Parlamento que está, desde a primeira hora, a recolher, analisar e cruzar todos os dados do incêndio de Pedrógão Grande. Constança Urbano de Sousa emocionou-se diante dos deputados e admitiu que tem ainda muitas dúvidas sobre o que aconteceu. Foi pedido um estudo independente ao funcionamento do sistema de comunicações de emergência e uma auditoria à Secretaria-Geral da Administração Interna, a entidade gestora do SIRESP. A ministra explicou porquê.

  • "O que mais tem havido nesta altura são respostas precipitadas"
    7:21

    Opinião

    Foi um "debate contido" o de hoje, no Parlamento, sobretudo no frente-a-frente entre António Costa e Passos Coelho, na opinião de Bernardo Ferrão. O subdiretor de informação da SIC sublinha uma declaração "mortal" do primeiro-ministro, quando este disse que "ninguém quer respostas precipitadas". Por outro lado, a comissão técnica independente pedida pelo PSD pode virar-se contra o próprio partido.

    Bernardo Ferrão

  • NotPetya: Lourenço Medeiros explica o novo ciberataque global
    2:44

    Mundo

    A Ucrânia está a ser seriamente afetada por um novo ataque informático. Algumas empresas de grande dimensão estão a ser prejudicadas, agravando a dimensão global do ataque, o qual não parece ser dirigido a ninguém em concreto. Ontem, nas primeiras horas do ataque, não parava de crescer o número de vítimas.

  • Caricaturas de Trump invadem capital do Irão

    Mundo

    O Irão está a organizar um concurso internacional de caricaturas do Presidente norte-americano Donald Trump. Pelas ruas de Teerão já vão surgindo algumas imagens alusivas ao festival que vai realizar-se no próximo mês de julho.

  • De onde vem o dinheiro de Isabel II?

    Mundo

    A rainha Isabel II vai ser aumentada - pelo exercício das suas funções -, em 2018, para 82,2 milhões de libras (93,5 milhões de euros). Este valor é pago pelo Estado britânico. Contudo, esta não é a única fonte de rendimento da rainha de Inglaterra. Isabel II também recebe pelas terras, casas e empresas que tem espalhadas pelo Reino Unido.

  • Companhia aérea obriga deficiente físico a entrar no avião sem ajuda

    Mundo

    Um homem com uma deficiência física que o obriga a andar numa cadeira de rodas foi obrigado a subir sozinho as escadas de um avião da companhia aérea Vanilla Air. Hideto Kijima deparou-se com a situação quando estava a embarcar da ilha de Amami para Osaka, no Japão, com vários amigos que foram proibidos de o ajudar.