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Cardeal-patriarca de Lisboa rejeita legalização da eutanásia

O cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, rejeitou hoje, no Santuário de Fátima, a legalização da eutanásia em Portugal, considerando que o sofrimento não pode ser eliminado com a morte.

PAULO CUNHA

"Estamos convictos de que não se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a vida da pessoa que sofre. O sofrimento pode ser eliminado ou debelado com os cuidados paliativos, não com a morte", disse o cardeal-patriarca de Lisboa, na sessão de abertura da 189.ª Assembleia Plenária da CEP, que decorreu hoje na Casa de Nossa Senhora das Dores.

Segundo D. Manuel Clemente, com a hipotética legalização da eutanásia, "que de todo rejeitamos, há o sério risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a essas situações, já que a solução não passaria por um esforço solidário de combate à doença e ao sofrimento, mas pela supressão da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade".

Salientando que a Igreja não se alheia do sofrimento de muitas pessoas e da falta de respostas que ainda encontram, "por carências de várias ordem, que podem e devem ser colmatadas", o presidente da CEP pretende contribuir para um diálogo sereno e humanizador.

Na sua intervenção, D. Manuel Clemente falou ainda de problemas de vária ordem que, direta ou indiretamente, afetam o país, a Europa e o resto do mundo, lembrando que ainda "não está superada a crise financeira do final da década anterior, com as respetivas consequências no setor do trabalho e da subsistência de quem não o tem".

"Não se integraram devidamente na nossa sociedade e valores civilizacionais básicos muitas pessoas provenientes de outras partes do mundo, criando-se, com um duvidoso multiculturalismo, autênticas bolsas de mútua exclusão, propícias a atitudes de grande violência", sublinhou o prelado.

Para o cardeal-patriarca de Lisboa, ainda "não se encontrou ainda uma solução capaz para o surto incomum de migrantes e refugiados que procuram no nosso continente as condições básicas de vida que a guerra e outras causas negativas destruíram nas suas terras de origem".

O presidente da CEP alertou ainda para "gravíssimos problemas como os fundamentalismos, o terrorismo ou a insegurança", que se interligam "num fundo comum de desconhecimento e até rejeição dos outros, quando teríamos todas as possibilidades materiais e mediáticas para estarmos realmente próximos e ser muito mais solidários".

A 189.ª CEP realiza-se até à próxima quinta-feira, na Casa de Nossa Senhora das Dores, no Santuário de Fátima.

Lusa

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