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Atentados em Bruxelas

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Protesto de grupo afastado pela polícia em Bruxelas visava imigrantes

Os elementos vestidos de negro que sobressaltaram hoje a homenagem às vítimas dos atentados em Bruxelas alegaram que a ação, interrompida pela polícia, visava os imigrantes, acusados de viverem à conta do estado social belga.

Em declarações à Lusa, um dos manifestantes vestidos de negro que ocuparam hoje a Praça da Bolsa, em Bruxelas, disse "estar farto disto: Eles só têm direitos, não querem ter obrigações", numa referência aos imigrantes.

O homem falou à Lusa em espanhol, alegando que é descendente de imigrantes espanhóis no país mas afirmando-se diferente de quem está a chegar agora de novo à Bélgica.

A sua mãe, disse, imigrou de Espanha para a Bélgica aos 14 anos, com o avô, para trabalharem, "ao contrário destes".

"Estou farto do que se passa. Tanto faz sejam muçulmanos ou não. Eles nem têm que trabalhar porque lhes dão tudo", afirmou o elemento do grupo, integralmente vestido de preto e que foi afastado da Praça da Bolsa pelas autoridades belgas.

Vindo de Gent, perto de Antuérpia, o homem não quis esclarecer novas ações do grupo associado à extrema-direita, limitando-se a dizer: "Estamos preparados para a guerra".

O grupo foi afastado da Praça da Bolsa até à Gare do Norte, onde foi forçado a entrar nas composições ferroviárias. O trajeto feito, de cerca de dois quilómetros, acabou por ser semelhante ao que estava previsto pela "Marcha contra o medo", uma ação de repúdio dos atentados que acabou por ser desconvocada.

A acompanhar este grupo, atrás da polícia, três jovens de Bruxelas que foram à Praça da Bolsa para participar na "Marcha contra o medo" fizeram questão de percorrer o caminho da praça da Bolsa até à Gare do Norte para ver o que se passava.

Um dos jovens disse à Lusa que a posição manifestada pelo grupo vestido de negro "é muito perigosa".

Os três jovens observavam as escadas de acesso à estação e lembravam que o seu objetivo de hoje era participar na marcha, mas não sabiam que tinha sido cancelada.

Os indivíduos que sobressaltaram a concentração pacífica "são da extrema-direita", acusam o grupo de 20 anos, que se demarcam daquelas posições xenófobas.

Lusa

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