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Corrupção na FIFA

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"Não consigo controlar todos", diz Blatter

O presidente da FIFA diz que não consegue controlar toda a gente no organismo máximo do futebol, reagindo ao escândalo de corrupção que ontem rebentou com a detenção de sete dirigentes. Joseph Blatter admite que o caso traz "vergonha e humilhação". Não se vai demitir e continua na corrida nas eleições de amanhã.

© Arnd Wiegmann / Reuters

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, abriu hoje o congresso da instituição, em Zurique, falando da "vergonha e humilhação" sentidas pela detenção de vários dirigentes do futebol mundial, acusados de corrupção e associação criminosa.

"Vêm aí mais más notícias", advertiu também o candidato a novo mandato à frente da FIFA, de 79 anos, que sexta-feira deverá ir às urnas contra o jordano Ali bin al Hussein, em pleno clima de escândalo, desencadeado pela detenção de nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA.

Blatter não fugiu ao caso e afirmou que "os suspeitos detidos lançam a vergonha e a humilhação" sobre o futebol, mas também se demarcou, frisando que "não poder vigiar toda a gente".

Na abertura do 65.º congresso da FIFA, foi claro que Blatter pretende mostrar-se acima do caso, desencadeado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. "Não posso vigiar todos os membros da nossa família no mundo", defendeu-se, antes de dizer que "não há refúgio para a corrupção" no seio das FIFA e que o organismo "coopera com as autoridades.

"É preciso restabelecer a confiança no nosso seio. É preciso fazer mais para que cada um se comporte de forma responsável e ética e o congresso vai dar-nos a ocasião para abrir essa grande obra de restabelecer a confiança em parte perdida", disse ainda.

Para Blatter, a equipa dirigente "é soberba" e é importante "não perder de vista o espírito do futebol" e "por alterações positivas". 

"Não estamos no futebol pela cupidez ou pelo poder, mas pelo amor a este jogo. A solidariedade e a unidade são necessárias", apelou ainda.

Na quarta-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de associação criminosa e corrupção nos últimos 24 anos, num caso em que estarão em causa subornos no valor de 151 milhões de dólares (perto 140 milhões de euros).

Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caimão e que é também presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

Dos restantes dirigentes indiciados fazem parte o brasileiro José María Marín, membro do comité da FIFA para os Jogos Olímpicos Rio2016, o costarriquenho Eduardo Li, 'Jack' Warner, de Trinidad e Tobago, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Caimão.

A FIFA suspendeu provisoriamente 12 pessoas de toda a atividade ligada ao futebol: os nove dirigentes ou ex-dirigentes indiciados e ainda Daryll Warner, filho de 'Jack' Warner, Aaron Davidson e 'Chuck' Blazer, antigo homem forte do futebol dos Estados Unidos, ex-membro do Comité Executivo da FIFA e alegado informador da procuradoria norte-americana, que já esteve suspenso por fraude. 

A acusação surge depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marín num hotel de Zurique, a dois dias das eleições para a presidência da FIFA, à qual concorrem o atual presidente, o suíço Joseph Blatter, e Ali bin Al-Hussein, da Jordânia.

Simultaneamente, as autoridades suíças abriram uma investigação à atribuição dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar.


Com Lusa
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