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Ulrich critica governo e troika e teme consequências da venda do Novo Banco

O presidente do Conselho de Administração do BPI disse hoje temer que o Novo Banco seja vendido por um valor abaixo do montante injetado pelo Fundo de Resolução, receando um problema "sistémico" se tal suceder. Ouvido na comissão de inquérito ao BES, Fernando Ulrich foi também crítico para com a atuação da troika' no que refere ao caso, lamentando a atuação do Banco Central Europeu.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

"Acho totalmente irresponsável que se atire para cima dos outros bancos, do seus acionistas e no limite dos seus depositantes, um risco que não esta quantificado e não se consegue delimitar com precisão", alertou Fernando Ulrich na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

O Novo Banco, que surgiu com a medida de resolução do BES, foi capitalizado com 4,9 mil milhões de euros através do Fundo de Resolução Bancária, acionista único do banco. O Estado português entrou com 3,9 mil milhões de euros neste Fundo, financiados com o dinheiro da troika que estava reservado à banca e que ainda não tinha sido utilizado.

Se a venda do Novo Banco for feita nesse montante, será um "grande sucesso", mas se tal não acontecer, "isso sim, será verdadeiramente risco sistémico provocado pelas autoridades", afiança o presidente executivo do BPI.

"Defendo os interesses de um dos bancos concorrentes do BES, responsável por cerca de 10% do compromisso do Fundo de Resolução. Não concordo com a solução tal como foi desenhada", acrescentou, procurando Ulrich saber que "limite máximo" de perdas foi pensado pelo Governo. "Gostava de saber qual é esse valor e quem suportará as perdas que fiquem acima desse valor", disse o responsável.

Se não tiver sido estabelecido "limite nenhum e se os outros bancos terão de suportar" os prejuízos, então Ulrich conclui que as autoridades portuguesas "decidiram jogar à roleta com o sistema".

"Banco que não precisava de capital público estoirou e 'troika' não percebeu"

"O banco que não precisava de capital público estoirou e a 'troika' não percebeu", declarou Ulrich na comissão parlamentar. O banqueiro falou depois do BCE: "Causa-me alguma perplexidade por que é que o BCE terá sido tão violento com o BES e anda com os bancos gregos ao colo. Por que é que foi tão duro e exigente com o BES?", questionou.

E acrescentou ainda: "Faz-me alguma confusão como foi possível um tratamento tão violento para um dos principais bancos do 'país maravilha' dos programas da 'troika'. 'Troika' essa da qual fazia parte o BCE e que não percebeu nada do que se passava no BES ao longo de três anos".

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, que foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo "apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades".


Com Lusa
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