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Presidente do Novo Banco retira cartazes de protestos dos lesados

Um grupo de trabalhadores e membros do conselho de administração do Novo Banco, entre os quais o presidente Stock da Cunha, retirou hoje os cartazes que os lesados do BES tinham colocado à frente da sede da instituição, em Lisboa.

Numa análise a Portugal ao abrigo do artigo IV, o FMI adianta que a banca portuguesa tem ainda vários problemas com imparidades, sendo que, com as taxas de juro a caírem, a rentabilidade financeira das operações pode dificultar a recuperação do sistema. (Arquivo)

Numa análise a Portugal ao abrigo do artigo IV, o FMI adianta que a banca portuguesa tem ainda vários problemas com imparidades, sendo que, com as taxas de juro a caírem, a rentabilidade financeira das operações pode dificultar a recuperação do sistema. (Arquivo)

© Hugo Correia / Reuters

Fonte próxima da direção do Novo Banco confirmou à agência Lusa que Eduardo Stock da Cunha estava entre os funcionários do Novo Banco que retiraram os cartazes que estavam na fachada da instituição bancária e que "lesavam o bom nome" do mesmo.

De acordo com a mesma fonte, Stock da Cunha falou com um dos lesados que se encontra em vigília à porta do Novo Banco e com trocou "alguns pontos de vista, certamente diferentes".

Segundo Paulo Ramos, um dos lesados do papel comercial do BES, que se encontra em vigília à porta do Novo Banco há cerca de três semanas, esta foi a primeira vez que o presidente da instituição o abordou e trocaram algumas palavras, depois de este ter levado os cerca de 20 cartazes.

"Tinha os cartazes expostos aqui da vigília que estamos a fazer, e o próprio Stock da Cunha e umas pessoas que o acompanharam que eu não sei quem são, remexerem e levaram os que tinham o nome dele, mesmo os que estavam em cima da minha carrinha. Ainda lhe disse que estavam em meu poder, em cima do meu carro, mas ele levou-os. Todos os que tinham o nome dele foram roubados, é a palavra mais correta", contou Paulo Ramos.

 "Ainda lhe disse que não podia estar a roubar, mas para ele resolver o problema do papel comercial, que estamos aqui desesperados e se pagar nós vamos embora. Mas ele disse que não podia resolver, que não estava nas suas competências", explicou adiantando que sugeriu a Stock da Cunha para se demitir já que não pode resolver o assunto.

Em declarações à Lusa, Ricardo Ângelo, da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial, disse que apoia a iniciativa da vigília por parte do grupo de lesados, embora não esteja de acordo com muitos dos dizeres dos cartazes, avançado que as mensagens são da responsabilidade dos lesados, individualmente.

Contactada pela Lusa, fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa confirmou que esteve no local do incidente, onde tomou conta da ocorrência, e que se encontra a fazer diligências para apurar o sucedido.

A polícia acrescentou que os cartazes estavam afixados num local onde é proibido.

A 03 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, separando a instituição em duas entidades: o chamado 'banco mau' (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas), e o banco de transição que foi designado Novo Banco.

Lusa
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