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Queda do BES

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Centenas de emigrantes lesados do BES portugueses voltaram às ruas de Paris

Os emigrantes voltaram a exigir, hoje, em Paris, o reembolso das poupanças que investiram no antigo BES, numa marcha que juntou 200 pessoas segundo a polícia, 350 segundo a organização.

Arquivo

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FERNANDO VELUDO/LUSA

A multidão, que se concentrou às 10:00 locais na Avenue Georges Mandel, em frente a uma das agências do banco, fez uma marcha de cerca de dois quilómetros até à Embaixada de Portugal, na Rue de Noisiel, no décimo sexto bairro da capital francesa, tendo, depois, uma delegação sido recebida na Embaixada portuguesa.

"Queremos o nosso dinheiro" foi o principal 'slogan' deste segundo protesto em menos de um mês em Paris, depois de o primeiro, a 30 de maio, ter reunido cerca de duzentos portugueses na capital francesa.

A marcha de hoje foi organizada pelo "Movimento Emigrantes Lesados do BES/ NOVO BANCO (MEL) e já estão previstas novas manifestações para 10 de agosto em Lisboa, 26 de setembro em Paris e todos os últimos sábados, a partir de outubro, na capital francesa, se até lá as poupanças não forem desbloqueadas, explicou à Lusa Amélia Reis, de 57 anos, antiga ama dos sobrinhos de Ricardo Salgado e uma das organizadoras do protesto.

Manuel Reis Marujo, de Valpaços, disse à Lusa estar à espera de recuperar os 370 mil euros que investiu no BES: "A minha situação é que estou com muitas dificuldades, estão sempre a fazer promessas desde o mês de agosto. O meu dinheiro continua a estar bloqueado. São 370 mil euros que tenho lá bloqueados. Até à data respondem-me sempre com a mesma coisa que não tem pés nem jeito."

António Lopes está há 51 anos em França e está à espera de reaver as poupanças de 180 mil euros. "Esse dinheiro custou-me a ganhar, a mim e às pessoas que estão aqui na manifestação. É muito triste", disse, descrevendo ter "vergonha de ser português".

Maria Rosa, natural do Soito, na Guarda, está desde 1963 em França e apontou o dedo ao antigo BES e ao governo: "Roubaram-nos tudo a todos. São uns ladrões os bancos. O que é que hei de fazer para recuperar o nosso dinheiro? Eles são uns ladrões, tanto o governo como os do banco!"

Sérgio da Rocha, oriundo de Viana do Castelo, declarou não entender porque não é dada aos emigrantes "uma resposta concreta", indicando que "já lá vão nove, dez meses".

"Eles não encontram solução para nós, dizem que pagam, mas quando? Quando é que nos vão pagar? Isto são as economias que nós temos cá. Eu gostava que o nosso primeiro-ministro visse isto que aqui se está a passar e que nos diga como é que nós, pais, devemos incentivar os nossos filhos a pouparem e a investirem em Portugal", declarou. 

Maria Adelina, que vive em França há 40 anos, manifesta-se pela segunda vez: "É muito triste estar aqui outra vez. Desde a primeira vez que estive aqui na manifestação, nada se arranjou. Continuamos a receber os extratos das contas de Portugal onde está zero, zero, zero. Como é que eu hei de ir de férias? Com que alegria é que eu vou de férias ao meu país?", questionou.

António Celestino Esteves, que vive em França há 41 anos, esteve a recolher assinaturas para um abaixo-assinado para enviar à CMVM, ao Banco de Portugal e para o Novo Banco.

Presente na manifestação esteve também Hermano Sanches Ruivo, vereador da Câmara de Paris, com nacionalidade portuguesa e francesa, em nome do "problema dessas oito mil famílias que ficaram lesadas".

"É uma forma de expressar um apoio e um alerta porque o que aconteceu em Portugal também pode acontecer em França. Essas famílias estão há mais de um ano à espera, nós estamos a falar dos nossos pais basicamente. É uma justa causa que merece não só o apoio de todos os políticos portugueses mas também dos eleitos franceses que têm uma ligação a Portugal", afirmou Hermano Sanches Ruivo.

Os manifestantes consideram ter sido enganados no momento da abertura das contas, afiançando que lhes foi prometido um depósito a prazo, o qual teria sido transformado em ações preferenciais, como o "Poupança Plus", "Euro Aforro", "Top Renda" e "EG Premium".



Lusa
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