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Queda do BES

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Quase duas centenas de lesados do BES protestam junto ao Conselho de Ministros

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Cerca de duas centenas de lesados do papel comercial do GES, comprado aos balcões do BES, manifestaram-se hoje junto da presidência do Conselho de Ministros, depois de terem protestado junto à sede do Novo Banco, em Lisboa. 

STEVEN GOVERNO/LUSA

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"Estamos a protestar, mais uma vez, para denunciar a venda vergonhosa de papel comercial que foi feita à maioria dos clientes do BES [Banco Espírito Santo]", disse o presidente da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC), Ricardo Ângelo, à agência Lusa.

A 3 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado 'banco mau' (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.

Desde essa altura que os lesados do BES têm vindo a manifestar-se por todo o país devido às perdas financeiras que sofreram.

"Não vamos parar com a nossa luta até vermos o nosso problema resolvido. Pensamos que com o novo comprador do banco esta situação poderá ser solucionada, pois, não é bom para a instituição que este problema se mantenha", adiantou Ricardo Ângelo.

O presidente da AIEPC explicou também à agência Lusa que é fundamental que os funcionários do Novo Banco "digam a verdade", pois "não nos venderam um produto de forma maldosa".

Os funcionários do BES venderam "um produto falseado e falido à partida" e durante cerca de seis meses "andaram a enganar-nos" e a dizer que "havia garantias do seu pagamento", salientou, adiantando que "mal eles [os funcionários] digam isso" os lesados deixam de se manifestar e responsabilizarão "quem verdadeiramente tem responsabilidades".

Segundo Ricardo Ângelo, quem tem responsabilidades "é verdadeiramente a fiscalização do sistema financeiro".

"Infelizmente foi vendido papel comercial aos clientes de retalho e fomos alvo de uma burla e de uma falha do sistema de regulação", esclareceu.

Na passada terça-feira, o Banco de Portugal (BdP) recebeu três propostas vinculativas para a aquisição do Novo Banco, indicando que vai avaliar as propostas "nas próximas semanas".

No início deste mês, o Financial Times escreveu que os favoritos a adquirir o Novo Banco são os chineses da Fosun ou da Anbang, os únicos que estão dispostos a pagar mais de 4,0 mil milhões de euros pela instituição financeira.

Para além dos chineses, segundo a imprensa, a americana Apollo está também na corrida à compra do Novo Banco.

 

Lusa

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