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Queda do BES

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Moody's preocupada com impacto da venda do Novo Banco

(Arquivo)

© Rafael Marchante / Reuters

A agência de notação financeira Moody's considera que a venda do Novo Banco deverá ser feita abaixo do preço inicialmente expectável, colocando pressão sobre o resto do sistema bancário, que poderá ser chamado a arcar com custos.

Os analistas da Moody's que seguem o sistema bancário português publicaram hoje um relatório sobre a situação dos bancos que operam em Portugal e a relação com o soberano.

"Os riscos para o sistema bancário incluem a probabilidade de que a venda do Novo Banco resulte em proveitos abaixo do esperado, o que poderá levar o resto do sistema bancário a suportar a diferença", refere a empresa que avalia o risco de crédito.

O Novo Banco - o banco de transição que ficou com os ativos e passivos considerados não problemáticos do BES - está em processo de venda, tendo os interessados em adquirir a instituição apresentado propostas até final do passado mês de junho.

Segundo divulgou então o Banco de Portugal, foram quatro as ofertas recebidas, não tendo contudo relevado de quem se tratam.

O Diário de Notícias escreve hoje que o "objetivo de fechar as negociações em julho ou agosto derrapou devido à complexidade da escolha" entre propostas que têm "naturezas muito diferentes", referindo que estão na corrida os bancos BCP e BPI e os fundos Apollo/Centerbridge e Lone Star.

O Banco de Portugal tinha como objetivo concretizar a venda do Novo Banco este verão, depois de o processo ter sido suspenso em setembro do ano passado.

Depois do colapso do BES, há dois anos quase, foi criado o Novo Banco capitalizado com 4.900 milhões de euros através do Fundo de Resolução bancária, dos quais 3,9 mil milhões veio de um empréstimo do Tesouro, no qual participam os bancos do sistema. Assim, em teoria cabe aos bancos assumirem a diferença, caso da venda do Novo Banco não seja suficiente para os custos tidos com a sua constituição.

O Governo, os bancos e o Banco de Portugal têm mantido conversações sobre uma forma mais gradual e menos penalizante de isso vir a ser feito, tendo em conta a frágil situação da banca portuguesa.

Em julho, foi polémica a afirmação que constava de uma carta enviada pelo Governo para Bruxelas em que aquele referia que "não considera a possibilidade" de realizar uma nova ajuda estatal ao Novo Banco, acrescentando que, se o banco não for vendido, entra num processo ordeiro de liquidação.

Segundo a diretiva de resolução e recuperação bancária, que regula os resgates aos bancos na Europa, um banco de transição, como é o Novo Banco (que ficou com os ativos e passivos considerados não problemáticos do BES), "deverá ser administrado de uma forma que viabilize a continuidade das suas atividades e voltar a ser colocado no mercado quando as condições o permitirem e dentro do prazo previsto na presente diretiva, ou ser liquidado, se não for viável".

O Novo Banco teve prejuízos de 980,6 milhões de euros em 2015, justificando mais de metade deste resultado negativo ainda com o legado do BES.

Lusa

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