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Crise na Grécia

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Crise na Grécia

Primeiro-ministro grego visita hoje a Rússia

O primeiro-ministro grego efetua hoje uma visita à Rússia que não deverá implicar o anúncio de uma aliança entre Atenas e Moscovo, embora existam interesses comuns em diversas áreas.  

(Reuters/ Arquivo)

(Reuters/ Arquivo)

© Alkis Konstantinidis / Reuter

A visita decorre quando o governo grego mantém negociações decisivas com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), os credores do país, um contexto que limita as perspetivas de um reforço das relações entre os dois países.

 

Atenas tem assinalado que a crise grega deve "ser resolvida no quadro da família europeia (...) e da UE" e que as "relações com países exteriores à UE se inserem num plano totalmente diferente", como precisou o ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis em entrevista publicada segunda-feira no diário económico Naftemboriki.

 

O responsável grego sublinhou que a Grécia não procura assistência financeira fora do quadro europeu a que pertence, o que não impede a promoção de relações bilaterais com países terceiros, à semelhança dos restantes Estados membros.

 

 Segundo o seu gabinete, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras vai encontrar-se com o Presidente russo Vladimir Putin e com o seu homólogo Dmitri Medvedev para abordar "a colaboração económica e comercial em matéria de investimentos, energia, turismo e cultura". 

 

A crise na Ucrânia e a aplicação de sanções a Moscovo degradou as relações com a UE e reduziu as deslocações oficiais ao Kremlin, e quando a Grécia se inclui entre os países europeus que se opõem às sanções. 

 

Talvez por esse motivo, e para demonstrar a "autonomia" do novo Executivo, o chefe da diplomacia grega, Nikos Kotzias, fez questão de visitar Moscovo menos de três semanas após a vitória do partido da esquerda radical Syriza nas eleições de 25 de janeiro, enquanto Tsipras será um dos raros dirigentes europeus presentes em maio nas celebrações organizadas pelo Kremlin pelo 70º aniversário da vitória dos aliados, na II Guerra Mundial. 

 

Para além dos jogos de alianças e da importante posição geoestratégica ocupada pela Grécia, durante esta visita de dois dias a Moscovo, e que termina quinta-feira, vão ser abordadas questões muito concretas: o preço do gás, a perspetiva de prolongamento na Grécia do projeto de gasoduto "Turkish Stream" entre a Rússia e a Turquia, embargo aos produtos agrícolas gregos, investimentos russos na Grécia, em particular na exploração de reservas petrolíferas submersas e o destino da empresa TrainOSE, operadora dos serviços de caminho-de-ferro gregos. 

 

Diversos responsáveis da UE já decidiram no entanto acautelar a deslocação de Tsipras e enviaram novas mensagens a Atenas.

 

Assim, o presidente do parlamento europeu, Martin Schulz, considerou no fim-semana ao jornal Hannoversche Allgemeine Zeitung que Tsipras "não deve desagradar aos seus parceiros europeus", sob o risco de quebrar a unanimidade da UE face à Rússia.

 

Neste jogo de equilíbrios, o Governo grego está ainda envolvido em difíceis negociações com os seus credores internacionais para o pagamento de uma parcela vital do empréstimo financeiro que evitará o risco de bancarrota no curto prazo.

 

Neste cenário, o ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, também vice-chanceler social-democrata do governo de coligação chefiado por Angela Merkel, preferiu minimizar a incerteza geopolítica em entrevista ao Rheinische Post: "Não posso imaginar que alguém em Atenas esteja disposto a virar as costas à Europa para se lançar nos braços da Rússia".

 

Lusa

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