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Crise na Grécia

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Relações com Bruxelas dominam primeiros 100 dias do Governo de esquerda na Grécia

As negociações com o Eurogrupo e o provável anúncio de um acordo entre Bruxelas e Atenas dominaram os primeiros 100 dias do governo de Alexis Tsipras, o líder da esquerda radical grega. 

© Kostas Tsironis / Reuters

A vitória eleitoral do SYRIZA, a 25 de janeiro, que concorreu às legislativas antecipadas com base num programa antiausteridade, foi um reflexo de esperança e desespero num país sob intervenção da 'troika' internacional desde 2010, em prolongada recessão, dívida pública descontrolada, taxa de desemprego em redor dos 27%, um terço da população no limiar da pobreza.   

 "O fim da 'troika' e das políticas recessivas" foi provavelmente um anúncio extemporâneo por parte dos novos dirigentes gregos, quando o país tentava desesperadamente desbloquear 7,2 mil milhões de euros do segundo empréstimo internacional, a última parcela de um resgate total de 240 mil milhões de euros e quando o país não recebe qualquer empréstimo desde agosto. 

As conversações com o "grupo de Bruxelas" -- a nova designação atribuída aos credores internacionais --, e com o Eurogrupo, protagonizadas pelo mediático ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis, foram assinaladas por momentos de grande tensão. 

E um primeiro acordo anunciado em 20 de fevereiro, que admitia o prolongamento da ajuda financeira da União Europeia (UE) caso Atenas prosseguisse as reformas exigidas, acabou por ficar bloqueado durante as "discussões técnicas".  

Em paralelo, e apesar de continuar a cumprir as suas obrigações financeiras com os credores, o Governo de Tsipras repetia as "linhas vermelhas" que tinha fixado na negociação: reforma do mercado de trabalho, diminuição das pensões de reforma, as modalidades das privatizações e o aumento do IVA. 

O crescente isolamento do ministro das Finanças grego entre os seus parceiros europeus, confirmada na reunião de Riga do Eurogrupo, levou Atenas a optar por remodelar em 27 de abril a equipa negocial para garantir uma melhor comunicação com Bruxelas. 

A "despromoção" de Varoufakis foi sentida como uma vitória pela "linha dura" do Eurogrupo, liderada pela Alemanha. 

No entanto, o novo coordenador nas conversações com os europeus, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Euclid Tsakalotos, é um destacado membro do partido da esquerda radical, e o próprio Tsipras já admitiu a realização de um referendo no país em torno de medidas a adotar exigidas pelos parceiros europeus, e que contrariem o programa eleitoral do SYRIZA. 



Lusa
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