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Crise na Grécia

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Ramalho Eanes fala em "certa inexperiência" grega e "pesporrência" dos credores

O antigo Presidente da República Ramalho Eanes disse esta quinta-feira assistir com "profundo desgosto" à situação da Grécia, considerando que do lado grego "há uma certa inexperiência e um excesso de voluntarismo" e do outro lado "uma pesporrência".

Ramalho Eanes falava aos jornalistas no final de um encontro com apoiantes da candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República, no Porto.

Ramalho Eanes falava aos jornalistas no final de um encontro com apoiantes da candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República, no Porto.

Lusa

Ramalho Eanes falava aos jornalistas no final de um encontro com apoiantes da candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República, no Porto, e questionado sobre a situação da Grécia disse assistir a este processo com "profundo desgosto" e "mágoa", afirmando que dos líderes dos órgãos da União Europeia, o único que lhe merece respeito é Juncker, presidente da Comissão Europeia.

"Por um lado, do lado da Grécia, há uma certa inexperiência e um excesso de voluntarismo. Do outro lado tem havido uma pesporrência e uma falta de respeito pelos grandes princípios que alicerçaram a União Europeia e que deviam constituir o cerne do projeto europeu que me impressionam", enfatizou.

Sobre a atuação dos líderes nacionais, o antigo Presidente da República disse não conseguir responder a essa pergunta porque não tem "conhecimento suficiente".

"Porque por um lado ouço dizer que têm sido mais papistas que o papa, por outro lado ouço dizer que têm sido moderados, que mais papistas que o papa têm sido os países bálticos. Eu não tenho dados que me permitam formular um juízo honesto e uma opinião segura", concluiu.

Anteriormente, também aos jornalistas, Sampaio da Nóvoa considerou muito preocupante a situação da Grécia e que aquilo que se está a viver "é uma corrosão dos princípios democráticos e das liberdades dos povos", confessando que esta não é a Europa com que a sua geração sonhou.

"Temos que ver e analisar isso com grande cuidado e seguir com grande preocupação. Mas devemos ter também muita prudência. Eu acho que esta é das alturas em que qualquer palavra que se diga, qualquer gesto deslocado, pode pôr em causa um projeto maior, que é o projeto europeu, no qual a minha geração se revê e no qual eu continuo a acreditar apesar de todos os problemas que vivemos nos dias de hoje", disse o candidato presidencial.

Sobre o motivo pelo qual apoia Sampaio da Nóvoa na corrida a Belém, Ramalho Eanes disse que na sua idade "há uma grande preocupação prudencial em relação às coisas públicas", garantindo que faz, sobre todas as decisões com caráter político, "uma profunda reflexão e um profundo exame".

"E foi essa reflexão e esse exame que me levaram a concluir que deveria apoiar o professor Nóvoa. E como já tive ocasião de dizer fui contra a opinião de muitos amigos meus que entendiam que eu não me devia pronunciar, que entendiam que eu não devia estar a investir um eventual prestígio que tivesse", confidenciou.

O antigo Presidente da República repete a pergunta que então fez: "O meu prestígio, no pouco tempo de vida que terei, para que é que serve senão para tentar ajudar, da melhor maneira que posso, o meu país?".

"Quando falo em ajudar o país é ajudar a que neste país os meus filhos, os meus netos, os seus filhos e os seus netos quando tiver, possam ser felizes", justificou.

Durante o discurso após o almoço, Ramalho Eanes tinha explicado que entende que o Presidente da República "deve ser um democrata" e um "homem que tem de amar verdadeiramente a liberdade não por razoes teóricas mas por razões éticas e de responsabilidade social mas sobretudo porque gosta das pessoas".

Para o antigo chefe de Estado, tem que ser "um homem que apoie todas as soluções que os portugueses democraticamente decidirem" e que tem a obrigação de colaborar com os governos sejam de direita ou de esquerda, desde que cumpram com o que prometem.

Lusa

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