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Crise na Grécia

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Governo devia estar ao lado do povo grego, diz Jerónimo de Sousa

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu hoje que o Governo português deveria estar solidário e ao lado do povo grego, "em vez de alinhar com os poderosos da União Europeia".

NUNO ANDR\303\211 FERREIRA

"Neste momento, em que vemos a situação que se vive na Grécia, este Governo português devia estar do lado daqueles que, no essencial, também passam pelos mesmos dramas que nós. Deveria haver solidariedade com aqueles trabalhadores e com aquele povo, mas não, alinham com os poderosos da União Europeia!", alegou.

Numa passagem por Resende, no distrito de Viseu, onde está a decorrer um passeio de mulheres organizado pela CDU, Jerónimo de Sousa sublinhou que o PCP está solidário com o povo grego, no que toca à defesa dos seus direitos e soberania.

"Gostaria de afirmar claramente que a nossa solidariedade não vai para a União Europeia! Vai para os trabalhadores e para o povo Grego, na defesa dos seus direitos a uma vida melhor e na defesa da soberania", apontou.

Ao longo de um discurso com cerca de 20 minutos, o líder comunista apelou a que se deixe o povo grego decidir acerca do seu futuro.

"Nós valorizamos muito a nossa Constituição da República, onde na lei fundamental está escrito que, em relação à independência nacional, a soberania reside no povo e não na União Europeia ou qualquer instituição estrangeira. Também na Grécia se deve respeitar esse princípio", referiu.

No seu entender, a União Europeia está a fazer com que o povo grego "se ajoelhe e se deixe humilhar", com propostas que visam "cortar mais nos salários, nas pensões e reformas, na educação, saúde e serviços públicos".

"Aquele povo tem o direito à dignidade, de dizer não, de dizer que na Grécia mandam os gregos e de dizer que não aceitam mais cortes e mais sacrifícios para o seu povo", acrescentou.

De acordo com Jerónimo de Sousa, o que está a acontecer na Grécia "demonstra a verdadeira cara da União Europeia". 

"Venderam-nos a União Europeia há 30 anos como uma coisa muito boa, o mercado de 300 milhões de pessoas, com Portugal na moda e na linha da frente. Passados estes anos, descobre-se que a União Europeia está é ao serviço do grande capital, dos grandes grupos económicos, de um diretório de potências dos países mais fortes que determinam a vida dessa União Europeia", concluiu.

 

Lusa

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