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Crise na Grécia

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Gregos dizem "não" aos credores abrindo caminho à incerteza

Os gregos rejeitaram hoje por ampla maioria as propostas dos credores internacionais, abrindo caminho à incerteza sobre a permanência da Grécia na zona euro.

Segundo os resultados apurados depois de escrutinados 95% dos votos, 61,31% dos gregos disseram "não" às medidas de austeridade propostas pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. O "sim" obteve 38,69%.

A participação foi de 62,48%, bem acima dos 40% necessários para que o referendo fosse válido.

O resultado do referendo, convocado há uma semana após o fracasso das negociações no Eurogrupo, foi considerado pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, como uma demonstração de que "a democracia não pode ser chantageada" e um reforço da posição de Atenas nas negociações, que pretende retomar já na segunda-feira e, desta vez, com a restruturação da dívida em cima da mesa.

Para o seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, o "não" é um "não à austeridade e sim aos valores europeus".

Mas, quando milhares de apoiantes do "não" já celebravam a vitória nas ruas de Atenas, as reações nas outras capitais europeias não eram positivas, como faziam prever as declarações dos últimos dias sobre uma saída do país do euro ("Grexit") em caso de vitória do "não". 

A mais dura partiu do vice-chanceler e ministro de Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, para quem Tsipras "cortou todas as pontes" para um eventual compromisso ao recusar "as regras do jogo", tornando "dificilmente imagináveis" negociações sobre "programas de milhares de milhões" de euros.

Em França e em Itália, no entanto, a mensagem foi diferente, com o ministro da Economia francês, Emmanuel Macron, a defender um recomeço das negociações, e o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Paolo Gentiloni, a afirmar a necessidade de "recomeçar a procurar um acordo" para sair do "labirinto grego". 

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, conversaram por telefone sobre o resultado do referendo e pediram ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para convocar uma cimeira extraordinária dos chefes de Estado e de Governo na zona euro para a próxima terça-feira, em Bruxelas, para discutir o resultado do referendo na Grécia.

Apesar de os mercados ainda estarem fechados, o valor do euro acusou a incerteza sobre o futuro da Grécia e da moeda europeia, com as transações eletrónicas que antecedem a abertura dos mercados asiáticos a registarem uma desvalorização de 1,20% em relação a sexta-feira.

Segundo o porta-voz do Governo grego, Gabriel Sakellaridis, o Banco da Grécia vai pedir ainda hoje ao Banco Central Europeu (BCE), cujo conselho de governadores se reúne na segunda-feira, liquidez adicional para a banca grega através do mecanismo de empréstimos de emergência (ELA, Emergency Liquidity Assistance).

No plano político, a primeira vítima do referendo grego foi o líder do principal partido da oposição e ex-primeiro-ministro Antonis Samaras, que liderou a campanha pelo "sim" e, em face da derrota, apresentou a demissão da liderança da Nova Democracia (centro-direita).

Em Portugal, os partidos destacaram a escolha democrática dos gregos e a necessidade de a Grécia e a Europa chegarem a um acordo.

Os partidos Os Verdes e o Livre/Tempo de Avançar saudaram a "coragem e dignidade" do povo grego, esperando o primeiro que este resultado tenha consequências nas negociações, e considerando o segundo que a vitória do 'não' no referendo reforça a posição do Governo grego.

O Bloco de Esquerda defendeu que a Grécia deu uma "grande lição à Europa", porque "escolheu a democracia à chantagem", enquanto o PCP considerou que o resultado do referendo "constitui uma importante derrota para a União Europeia e para o FMI".

O PS criticou o Governo português, acusando-o de tratar a crise na Grécia "como um assunto partidário", e defendeu que, independentemente do resultado do referendo, seja recuperado o "interesse nacional" na procura de uma solução europeia.

Para o PSD, o povo grego tem agora o "dever" de apresentar uma solução para o país, opinião secundada pelo CDS-PP, que quer a Grécia a apresentar "soluções alternativas, viáveis e executáveis".

 

Lusa

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