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Varoufakis diz que Eurogrupo é uma orquestra onde Schäuble é o maestro

O ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis disse que o Eurogrupo está "total e completamente" controlado pelo ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, numa entrevista publicada hoje pela revista 'NewStatesman'.

© Jean-Paul Pelissier / Reuters

Na entrevista, que apesar de ter sido divulgada hoje foi realizada antes do acordo para o terceiro resgate grego, o economista faz um balanço dos seus cinco meses à frente das negociações do Governo liderado por Alexis Tsipras.

Questionado sobre se o Eurogrupo está dominado pela posição alemã, Yanis Varoufakis, que se demitiu há uma semana, considerou que o grupo dos ministros das Finanças da zona euro "é como uma orquestra afinada" onde Wolfgang Schäuble "é o maestro".

"Tudo acontece em harmonia. Às vezes a orquestra desafina, então reúne-se de novo e volta ao tom", descreveu o ex-ministro grego.

Segundo Varoufakis, a "linha oficial" acaba por ser aceite pelo conjunto dos ministros das Finanças da zona euro, mesmo pelo ministro das Finanças francês, Michel Sapin, que apesar de ser "o único" que discorda "muito subtilmente" do grupo, acaba por "ceder e aceitar".

O ex-ministro das Finanças grego, que reconheceu que se sente "aliviado" por ter deixado o cargo, lamenta que da sua experiência na negociação fique a "completa falta de escrúpulos democráticos, por parte de supostos defensores da democracia da Europa".

O académico grego explicou que, quando tentava apresentar um argumento económico aos seus homólogos europeus, era como se "não tivesse dito nada", porque no final acabavam por se "cingir ao protocolo oficial". 

Varoufakis disse ainda que, embora alguns ministros e responsáveis de instituições, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) simpatizassem com ele em privado, nas negociações "escondiam-se atrás da versão oficial", enquanto Wolfgang Schäuble foi "consistente desde o início".

"O seu ponto de vista era: 'não vou negociar sobre o programa, foi aceite pelo Governo anterior e não vamos deixar que as eleições mudem nada'", lembrou o economista grego.

O ex-ministro explicou que os governos de outros países endividados foram desde o início "inimigos energéticos" do executivo de Tsipras, porque se Atenas conseguisse um acordo melhor poderiam sair prejudicados politicamente. 

Lusa

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